O que o espaço faz ao corpo

· Equipe de Astronomia
Entrar no espaço não é apenas flutuar entre as estrelas—é colocar nossos corpos à prova de desafios que nunca enfrentamos na Terra.
O espaço testa cada parte de nós, do esqueleto e músculos às próprias células, de maneiras que são fascinantes e arriscadas.
Muitas dessas mudanças estão ligadas à teoria da relatividade de Einstein, que mostra que o tempo e o espaço se comportam de forma diferente dependendo da velocidade e da gravidade.
Dilatação do tempo: o espaço pode nos deixar mais jovens?
Em teoria, astronautas podem envelhecer mais devagar do que pessoas na Terra. Esse efeito, chamado dilatação do tempo, vem diretamente da relatividade de Einstein. O tempo não é fixo—ele muda com a velocidade. Astronautas orbitam a Terra a cerca de 28.000 quilômetros por hora.
Embora isso esteja longe da velocidade da luz, é suficiente para retardar a passagem do tempo de forma mensurável. De fato, pilotos que completaram missões espaciais de longa duração retornaram à Terra e descobriram que seus relógios a bordo estavam alguns minutos atrás dos relógios terrestres.
No nível celular, essa passagem mais lenta do tempo pode retardar o envelhecimento e o metabolismo das células. Sob esse ponto de vista, viajar no espaço não encurta a vida; pode até atrasar ligeiramente o envelhecimento. No entanto, os efeitos não são totalmente claros, já que a exposição prolongada ao ambiente espacial também traz sérios desafios físicos.
Mudanças físicas: conheça Frank Rubio
Pegue o astronauta Frank Rubio como exemplo. Ele passou 371 dias na Estação Espacial Internacional, completando 5.963 órbitas e percorrendo impressionantes 253,3 milhões de quilômetros. Quando sua nave pousou com segurança em uma vasta planície, ele saiu sorrindo, mas fisicamente exausto.
Assistido pela equipe de recuperação e pelos médicos, precisou dar passos cuidadosos para readquirir o equilíbrio.
A experiência de Frank reflete o que muitos astronautas enfrentam: viagens prolongadas no espaço remodelam o corpo humano de maneiras que raramente percebemos na Terra.
Mudanças na coluna em microgravidade
Na Terra, nossa coluna é comprimida pela gravidade, mantendo-a estável. Em microgravidade, a coluna “descarrega”, alongando-se e permitindo que astronautas cresçam alguns centímetros. Embora isso possa parecer um bônus, pode trazer riscos reais à saúde.
Alguns astronautas sentem dores nas costas causadas pelo alongamento da coluna, e retornar à Terra pode causar hérnias de disco. O ambiente de baixa pressão do espaço também acelera a perda óssea, deixando os astronautas vulneráveis a fraturas. Na Terra, as pessoas perdem cerca de 1 a 2% da massa óssea por mês naturalmente.
No espaço, seis meses podem levar a uma perda de 10%. Com suporte médico limitado, fraturas demoram mais para cicatrizar, tornando a saúde óssea uma preocupação séria.
Atrofia muscular em gravidade zero
Os músculos também sofrem sem gravidade. Na Terra, nossos músculos trabalham constantemente para sustentar a postura, embora raramente percebamos. No espaço, esses músculos relaxam e encolhem. Pesquisas mostram que astronautas podem perder até 20% da massa muscular após apenas duas semanas em órbita.
Missões longas de três a seis meses podem gerar perdas de até 30%. Retornar à Terra depois desse período é fisicamente desafiador, já que os músculos enfraquecidos têm dificuldade para se adaptar à gravidade.
Radiação e efeitos genéticos
O espaço também faz com que os fluidos do corpo se desloquem em direção à cabeça, causando inchaço ao redor dos olhos e visão borrada. Isso pode resultar em mudanças estruturais de longo prazo nos olhos, às vezes irreversíveis. A radiação espacial apresenta outro perigo, podendo alterar o DNA.
Nas extremidades de nossos cromossomos existem capas protetoras chamadas telômeros, que naturalmente encurtam com a idade. Surpreendentemente, os telômeros dos astronautas podem se alongar no espaço, apenas para encurtar drasticamente ao retornar à Terra.
Cientistas suspeitam que a radiação espacial é um fator importante, adicionando complexidade aos riscos à saúde durante a missão.
Pesando riscos e benefícios
É claro que viajar no espaço tem impactos significativos no corpo humano, a maioria negativos. Da atrofia muscular e perda óssea a alterações na visão e mudanças genéticas, astronautas enfrentam desafios que poucos de nós conseguem imaginar.
Se a viagem espacial encurta ou prolonga a vida ainda é debatido, mas não há dúvida de que ela testa os limites da saúde humana.
Lições do espaço
Lykkers, da próxima vez que olharmos para as estrelas, lembremos que aventurar-se no espaço não é apenas uma aventura—é um desafio físico profundo. Cada órbita, cada quilômetro percorrido, remodela o corpo humano de maneiras que estamos apenas começando a entender.
Seguindo as jornadas dos astronautas, temos um vislumbre tanto da fragilidade quanto da resiliência dos nossos corpos. Continue olhando para cima; o universo tem lições para nós, e nossos corpos contam uma história tão extraordinária quanto as próprias estrelas.