Tomate e o intestino!
Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
| 29-01-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
Tomate e o intestino!
Os tomates são apreciados há muito tempo pelo sabor e valor nutricional, mas pesquisas científicas recentes indicam que seus benefícios podem ir além.
Alcançando a complexa comunidade de microrganismos que vivem no sistema digestivo.
Esses residentes microscópicos, conhecidos coletivamente como microbiota intestinal, desempenham um papel fundamental na digestão, no equilíbrio do sistema imunológico e na saúde geral.
Segundo a autora principal Jessica Cooperstone, professora assistente de horticultura e ciência das culturas e de ciência e tecnologia de alimentos na Universidade Estadual de Ohio, “é possível que os tomates ofereçam benefícios por meio da modulação da microbiota intestinal”.
Essa observação reforça o caráter exploratório do estudo e destaca a importância potencial do tomate além da nutrição tradicional.

Por que a diversidade microbiana importa

A diversidade microbiana refere-se ao número de espécies distintas de microrganismos e ao equilíbrio entre elas no ambiente digestivo.
Uma maior diversidade costuma estar associada a ecossistemas microbianos mais resistentes, capazes de se adaptar melhor ao estresse e a mudanças externas.
Estudos em animais e humanos relacionam maior diversidade microbiana a uma digestão mais eficiente, regulação energética mais estável e sinalização imunológica equilibrada.
Uma proporção mais elevada de bacteroidota em relação às bacillota tem sido associada, em outras pesquisas, a resultados positivos para a saúde, enquanto a proporção inversa já foi relacionada a perfis menos favoráveis, incluindo desequilíbrio de peso.
Essa mudança em direção a uma proporção mais benéfica sugere que os tomates podem influenciar o ambiente microbiano de forma a apoiar o bem-estar digestivo.

Componentes do tomate que podem gerar mudanças

Os tomates contêm diversos nutrientes e compostos bioativos capazes de influenciar o ambiente microbiano.
Entre os principais estão:
fibra alimentar: os tomates fornecem fibras solúveis e insolúveis, que são fermentadas pelas bactérias intestinais para produzir ácidos graxos de cadeia curta, substâncias conhecidas por apoiar o equilíbrio do ecossistema digestivo;
fitoquímicos: esses compostos vegetais, incluindo o licopeno e os flavonoides, podem favorecer o equilíbrio microbiano ao estimular o crescimento de determinados grupos de microrganismos benéficos. Pesquisas anteriores sugerem que compostos específicos derivados do tomate podem promover populações associadas a atividade microbiana positiva;
antioxidantes: os tomates são ricos em diversos antioxidantes, que ajudam a neutralizar radicais livres e podem reduzir o estresse no ambiente digestivo, apoiando indiretamente o equilíbrio microbiano.
Tomate e o intestino!

O que isso significa para a saúde humana

Embora a pesquisa recente tenha sido realizada em um modelo animal, seus resultados fornecem uma base científica para futuros estudos em humanos.
Caso efeitos semelhantes ocorram em pessoas, o consumo de tomates pode contribuir para diversos benefícios relacionados ao equilíbrio digestivo, como regulação energética mais consistente, melhor comunicação do sistema imunológico e menor desconforto após as refeições.
Compreender como alimentos específicos moldam o ambiente microbiano pode, no futuro, permitir orientações alimentares mais precisas e personalizadas.
Por enquanto, os tomates se destacam como uma fonte comum, acessível e promissora de nutrientes capazes de influenciar a composição da microbiota.
Por meio de mudanças na diversidade e na composição microbiana, os tomates podem ajudar a criar um ambiente mais favorável para microrganismos benéficos.
Embora sejam necessários mais estudos em humanos para confirmar esses efeitos, as evidências atuais indicam o potencial do tomate como parte importante de uma alimentação saudável e favorável à microbiota.