Ansiedade magoa o coração
Gustavo Rodrigues
Gustavo Rodrigues
| 30-01-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
Ansiedade magoa o coração
A ansiedade é mais do que um estado emocional. Padrões persistentes de ansiedade influenciam múltiplos sistemas que regulam a circulação, o controle da pressão e o ritmo cardíaco.
Embora a preocupação de curto prazo possa ativar respostas protetoras, a ansiedade prolongada pode impor demandas contínuas ao sistema cardiovascular.
Evidências científicas descrevem a ansiedade como uma condição fisiológica mensurável, que molda a saúde do coração por meio de hormônios do estresse, da atividade do sistema nervoso e da tensão vascular.

Ansiedade e o sistema de resposta ao estresse

A ansiedade ativa o sistema de resposta ao estresse do corpo, uma rede projetada para preparar o organismo diante de perigos percebidos. Esse sistema libera hormônios como adrenalina e cortisol, que aumentam a frequência cardíaca e contraem os vasos sanguíneos.
Essas mudanças são úteis em situações breves de ameaça, mas se tornam problemáticas quando a ansiedade é frequente ou crônica.
A ativação repetida desse sistema mantém o coração funcionando sob condições de maior exigência. A pressão arterial pode permanecer elevada por períodos mais longos, e a frequência cardíaca em repouso pode aumentar ao longo do tempo.
Pesquisas em psicofisiologia mostram que pessoas com ansiedade crônica costumam apresentar menor variabilidade da frequência cardíaca, um marcador associado à redução da capacidade de adaptação cardiovascular.
Uma variabilidade menor sugere que o coração tem menos oportunidades de recuperação entre os batimentos, aumentando o desgaste a longo prazo.

Desequilíbrio do sistema nervoso

O sistema nervoso autônomo regula processos involuntários, como os batimentos cardíacos e o tônus dos vasos sanguíneos. A ansiedade desloca esse sistema para a dominância simpática, frequentemente descrita como um estado de “alerta elevado”.
Nessa condição, os sinais calmantes do sistema parassimpático tornam-se menos ativos.
Esse desequilíbrio afeta a eficiência com que o coração responde às demandas do dia a dia. Em repouso, a frequência cardíaca pode permanecer mais alta do que o necessário. Durante o esforço físico, a recuperação pode levar mais tempo.
Com o passar dos anos, esse padrão pode contribuir para o desgaste dos tecidos cardiovasculares e para a redução da reserva funcional.

Pressão arterial e efeitos vasculares

A ansiedade está diretamente associada à regulação da pressão arterial. A tensão emocional pode provocar elevações temporárias da pressão por meio da contração dos vasos sanguíneos. Quando a ansiedade persiste, esses aumentos repetidos podem influenciar os níveis basais de pressão.
Observações clínicas indicam que pessoas ansiosas frequentemente apresentam respostas exageradas da pressão arterial a estressores leves. Essa reatividade elevada obriga o coração a bombear contra uma resistência maior com mais frequência.
Ansiedade magoa o coração

Inflamação e influência hormonal

Pesquisas recentes relacionam a ansiedade a processos inflamatórios de baixo grau mediados por hormônios do estresse. O cortisol, quando liberado de forma contínua, altera a sinalização do sistema imunológico e pode contribuir para processos inflamatórios nos vasos sanguíneos.
A inflamação reduz a flexibilidade dos vasos e interfere no fluxo sanguíneo adequado.

Caminhos comportamentais que afetam o coração

A ansiedade também molda comportamentos que influenciam a saúde cardíaca. Inquietação, distúrbios do sono e a evitação de atividades físicas são padrões comuns. Dormir mal altera a regulação noturna da pressão arterial e reduz a recuperação cardíaca restauradora.
A diminuição do movimento limita o condicionamento cardiovascular, tornando o coração menos eficiente nas tarefas diárias.

Implicações a longo prazo

Ao longo do tempo, o estresse cardiovascular associado à ansiedade pode reduzir a resiliência do coração. O órgão se adapta ao estresse persistente trabalhando mais intensamente em repouso e respondendo com menos flexibilidade às mudanças.
Embora a ansiedade não atue de forma isolada, sua interação com fatores genéticos, ambientais e comportamentais molda o risco cardiovascular geral.
O Dr. Benjamin D. Levine, cardiologista de referência e diretor do Instituto de Medicina do Exercício e do Meio Ambiente do UT Centro Médico do Sudoeste, explica:que manter exercícios aeróbicos regulares ao longo da vida ajuda a proteger a função cardíaca e a preservar um sistema cardiovascular mais jovem com o avanço da idade.
A ansiedade afeta a saúde do coração por meio dos hormônios do estresse, do desequilíbrio do sistema nervoso, da tensão vascular e de mudanças comportamentais.
Apoiar o equilíbrio mental representa um componente importante para a manutenção da saúde cardíaca a longo prazo, complementando a alimentação adequada, o movimento regular e o sono reparador.