Como o plástico biodegrada
Pedro Santos
| 30-01-2026

· Equipe de Astronomia
Todos nós sabemos que as sacolas plásticas comuns podem permanecer em aterros sanitários por centenas de anos, causando danos à vida selvagem e aos ecossistemas.
Já os plásticos biodegradáveis parecem desaparecer de forma mais natural, quase como mágica.
Mas não é mágica — é ciência.
Entender como esses materiais funcionam nos ajuda a fazer escolhas mais inteligentes e ambientalmente responsáveis, seja em casa, em restaurantes ou em grandes indústrias.
Hoje, vamos explicar a ciência por trás dos plásticos biodegradáveis e ver como eles retornam com segurança à natureza.
Materiais especiais encontram microrganismos
O segredo dos plásticos biodegradáveis está na colaboração entre materiais especialmente desenvolvidos e microrganismos. A maioria desses plásticos utiliza ingredientes como Ácido Polilático (PLA), aAdipato Tereftalato de Polibutileno (PBAT) ou compostos à base de amido.
Esses materiais são fundamentalmente diferentes dos plásticos tradicionais derivados do petróleo, que são estáveis, resistentes e pouco afetados pela ação microbiana.
Em contraste, os plásticos biodegradáveis possuem cadeias moleculares que enzimas específicas conseguem quebrar. Os microrganismos “reconhecem” esses plásticos como uma fonte de alimento, o que inicia o processo de degradação.
Esse design único explica por que os plásticos biodegradáveis podem se integrar aos ciclos naturais, enquanto os plásticos comuns se acumulam em aterros por séculos.
O processo de decomposição em três etapas
Quando uma sacola plástica biodegradável entra no ambiente adequado, ela se decompõe por meio de três etapas principais: primeiro, ocorre a adesão dos microrganismos. O solo, o composto orgânico ou a água contêm microrganismos que detectam sinais químicos do plástico.
Eles rapidamente se fixam à superfície, formando uma fina camada de atividade microbiana. Segundo, acontece a degradação enzimática. Os microrganismos liberam enzimas como lipases e proteases, que funcionam como tesouras moleculares, cortando grandes moléculas de plástico em fragmentos menores.
Por exemplo, nos plásticos de PLA, as lipases atuam especificamente nas ligações éster, convertendo-as em monômeros de ácido lático. Essa etapa é crucial, pois transformar o plástico em unidades menores o torna digerível para os microrganismos. Terceiro, ocorre a conversão metabólica.
As pequenas moléculas são absorvidas pelos microrganismos e processadas por meio da respiração celular, sendo transformadas em dióxido de carbono, água e biomassa. Essa etapa final completa o ciclo, devolvendo o material à natureza sem deixar poluição duradoura.
O ambiente molda a degradação
A velocidade e a eficiência da biodegradação dependem fortemente das condições ambientais. Em instalações de compostagem industrial, com temperaturas elevadas entre 50 e 60 °C, boa oxigenação e umidade ideal, a atividade microbiana atinge seu pico.
Nessas condições, os plásticos biodegradáveis podem se decompor completamente em 6 a 12 meses.
No solo natural, as condições variam. Temperatura, umidade e diversidade microbiana costumam ser limitadas, o que pode prolongar a decomposição para 2 a 3 anos. Em ambientes marinhos, temperaturas mais baixas, alta pressão e escassez de oxigênio tornam o processo ainda mais lento.
Outros fatores, como a espessura do plástico e os aditivos utilizados, também influenciam. Plásticos mais finos, com poucos aditivos, são mais fáceis de serem processados pelos microrganismos, enquanto materiais mais espessos ou com estabilizantes adicionais se degradam mais lentamente.
Compreender esses fatores nos ajuda a prever como um determinado plástico biodegradável se comportará no mundo real.
Por que entender isso é importante para nós?
A ciência por trás dos plásticos biodegradáveis é um belo exemplo da união entre a ciência dos materiais e as ciências da vida.
Para nós, conhecer esses princípios é essencial na hora de escolher produtos. Por exemplo, uma sacola projetada para compostagem industrial pode não se decompor rapidamente no solo doméstico ou em ambientes marinhos. Fazer escolhas informadas garante que nossas ações ecológicas realmente beneficiem o meio ambiente.
Além disso, as indústrias podem otimizar seus processos ao selecionar o tipo certo de plástico biodegradável para cada necessidade, reduzindo resíduos e aumentando a sustentabilidade. Para os usuários do dia a dia, compreender a ciência traz a confiança de que os produtos utilizados não permanecerão desnecessariamente na natureza.
Vamos fazer escolhas verdes
Então, Lykkers, da próxima vez que pegarmos uma sacola plástica biodegradável, podemos valorizar a ciência por trás dela. Não é apenas um pedaço de plástico — é um material cuidadosamente desenvolvido para trabalhar em harmonia com a natureza e reduzir o desperdício.
Ao entender como os plásticos biodegradáveis se decompõem, podemos fazer escolhas mais inteligentes e garantir que nossos investimentos ecológicos realmente gerem impacto positivo. Ao escolher esses produtos, podemos considerar fatores como ambiente, tipo de material, espessura e aditivos.
Quais características você mais observa ao escolher plásticos biodegradáveis? Compartilhe sua opinião e vamos aprender juntos a fazer escolhas mais sustentáveis para o nosso planeta. Juntos, pequenas ações geram grandes mudanças.