IA na educação básica
Thiago Lima
Thiago Lima
| 23-04-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
IA na educação básica
A Inteligência Artificial está em todos os lugares, inclusive nas salas de aula. Como entender, aprender e ensinar a utilizar essa ferramenta de forma consciente?
Com os avanços da IA, principalmente os modelos generativos, cresce também a discussão sobre regulação e integração dessa tecnologia em ambientes educacionais.
Atento a esse debate, o Ministério da Educação (MEC) realizou, no dia 8 de abril, o webinário “IA na educação básica: caminhos para o currículo e a prática docente”. Durante o encontro, foram discutidas diretrizes para o uso pedagógico da inteligência artificial nas escolas e apresentado o documento orientador “Inteligência Artificial na Educação Básica”.
O webinário marcou também o lançamento do curso “IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico”, voltado a professores do ensino médio. A formação, que integra as ações da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), está disponível na Plataforma Mais Professores.
O encontro contou com a presença de gestores públicos, especialistas e educadores, que discutiram como integrar a inteligência artificial às práticas pedagógicas da educação básica, com foco em um uso crítico, responsável e alinhado às políticas educacionais brasileiras.
Para Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, a presença da IA no cotidiano de docentes e estudantes não é mais opcional, por isso, as redes de ensino devem estar preparadas para utilizá-la de forma consciente e pedagógica.
“A inteligência artificial já é uma realidade, não é mais uma escolha. Então, nós da educação básica, nessa frente de diretrizes e políticas, precisamos estar ao lado das redes educacionais e das escolas, apoiando cada vez mais o fortalecimento do uso dessa ferramenta por professoras e professores e, também, por parte dos nossos estudantes.
Não vamos ter medo, vamos aprender a usar”.

Documento orientador abrange fundamentos de IA e implementação de estratégias

O documento orientador do Ministério da Educação apresenta diretrizes que apoiam as instituições de ensino na elaboração de currículos, práticas pedagógicas e políticas institucionais voltadas à integração da inteligência artificial de maneira ética, crítica e segura.
As recomendações estão alinhadas aos princípios da educação digital e midiática e têm como objetivo assegurar qualidade e equidade no acesso às tecnologias educacionais.

Riscos, benefícios e a importância da mediação no uso de IA nas salas de aula

De acordo com o documento orientador, o uso da inteligência artificial envolve tanto riscos quanto benefícios.
Pesquisa realizada pelo Cetic.br em 2025, com especialistas e comunidades escolares (CGI.br, 2025b), indica que gestores escolares apontam como principal benefício o aumento da eficiência, com redução do tempo e da sobrecarga de atividades.
Entre os riscos, destacam-se as dificuldades práticas para a implementação das ferramentas de IA e os possíveis impactos no processo de aprendizagem.
Em relação aos estudantes, a pesquisa mostra que muitos já demonstram compreender o funcionamento da inteligência artificial generativa, inclusive ao questionar a confiabilidade das respostas e seus efeitos sobre a aprendizagem.
O estudo também aponta uma diferença significativa no uso da IA entre escolas públicas e privadas: enquanto as primeiras tendem a evitar o uso, as segundas apresentam um cenário mais aberto. Em ambos os casos, no entanto, a mediação do professor ainda é limitada.
Importante destacar que a discussão sobre o uso da inteligência artificial na educação não se restringe a professores e gestores, mas envolve toda a comunidade escolar. Essa compreensão é fundamental para promover um uso ético, seguro e pedagogicamente responsável das ferramentas.

Curso IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico

Disponível no Ambiente Virtual de Aprendizagem do Ministério da Educação, o curso foi desenvolvido para docentes do ensino médio, educadores, estudantes de Pedagogia e das licenciaturas, coordenadores pedagógicos e demais profissionais da educação interessados em integrar a inteligência artificial às práticas pedagógicas de forma crítica e responsável.
O curso tem os seguintes objetivos específicos:
- reconhecer a evolução histórica e os fundamentos técnicos da IA;
- compreender o funcionamento de sistemas baseados em dados, algoritmos e modelos;
- desenvolver letramento crítico em IA considerando aspectos éticos, sociais e ambientais;
- analisar os impactos da IA no mundo do trabalho e na sociedade;
- planejar estratégias pedagógicas que integrem a IA de maneira intencional e responsável;
- aplicar o referencial curricular proposto em contextos escolares diversos.
A proposta formativa está alinhada às competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aos Saberes Digitais Docentes, aos referenciais de competências em IA para professores e estudantes da UNESCO e às discussões internacionais sobre letramento em inteligência artificial, considerando os desafios contemporâneos da sociedade digital.
IA na educação básica

Plataforma digital Aí Prof democratiza acesso à informação sobre Inteligência Artificial aplicada à educação

Comprometida com a discussão sobre esta pauta, a MultiRio se destaca ao ser a única instituição do estado do Rio de Janeiro selecionada no edital “Inteligência Artificial para Educação, da Fundação Itaú”.
A iniciativa, realizada em 2024, reúne projetos de todo o Brasil com o objetivo de promover inovação e inclusão social no ensino básico público por meio da tecnologia.
O projeto escolhido para desenvolvimento foi o Aí, Prof!, uma plataforma digital interativa que visa democratizar o acesso à informação sobre Inteligência Artificial aplicada à educação.
Com implementação prevista até dezembro de 2026, a plataforma é voltada a professores do ensino fundamental e oferecerá um ambiente personalizado, alinhado às necessidades dos educadores.
Juliana Silva, mestre em Educação, especialista em tecnologia na educação e líder pedagógico do AÍ Prof, também acredita que essa tecnologia já é uma realidade estabelecida no nosso cotidiano.
“A cultura digital faz parte da contemporaneidade, atravessando de forma transversal as múltiplas esferas da vida cotidiana. É inegável que essas tecnologias incidem sobre as nossas práticas sociais e subjetividades, influenciando modos de pensar, agir e interagir”.
Justamente por isso, Juliana destaca a importância do conhecimento sobre essas novas tecnologias para que elas sejam incorporadas nos ambientes educacionais sem perda de autonomia humana.
“Entender essas tecnologias, como elas operam e quais interesses orientam seu desenvolvimento é o que diferencia uma relação passiva de uma apropriação crítica e intencional desses recursos.
É possível ter uma perspectiva de integração dessas tecnologias, preservando aspectos da nossa humanidade, como a autonomia, a criatividade, o protagonismo dos sujeitos, sem que esses recursos se sobreponham à dimensão da ação humana e da produção de sentido”.