Parceria entre Brasil-China
Matheus Pereira
| 28-04-2026

· Equipe de Ciências
O Brasil e a China oficializaram um acordo de cooperação em inteligência artificial (IA), envolvendo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Serpro e a empresa chinesa iFlytek.
Firmado na última sexta-feira (10), o acordo amplia a colaboração entre os dois países e define diretrizes para atuação conjunta em pesquisa, desenvolvimento e formação de profissionais na área de IA.
Entre os focos principais estão o desenvolvimento de modelos de linguagem adaptados ao português brasileiro, sistemas de tradução e acessibilidade, além de aplicações em cibersegurança e infraestrutura tecnológica.
Alerta sobre dependência tecnológica
O ministro interino do MCTI, Luis Fernandes, destacou a importância estratégica do acordo em um cenário global cada vez mais dominado pela inteligência artificial.
“Países que não desenvolverem capacidade própria ficarão dependentes de tecnologias externas”, afirmou. Segundo ele, o acesso a essas tecnologias pode se tornar limitado no futuro, o que reforça a necessidade de autonomia.
O papel do Serpro na execução
A implementação técnica da iniciativa ficará sob responsabilidade do Serpro, órgão que opera sistemas essenciais e a infraestrutura de dados do governo federal.
Fernandes ressaltou que a empresa desempenha um papel central por concentrar sistemas que sustentam serviços públicos digitais. A expectativa é que a IA ajude a melhorar diretamente o atendimento à população.
Avanço nos serviços públicos
O presidente do Serpro, Wilton Mota, afirmou que a empresa já conta com mais de 300 soluções baseadas em inteligência artificial.
Segundo ele, o acordo cria condições para acelerar esse desenvolvimento, ampliando o uso da tecnologia no setor público e fortalecendo a chamada soberania digital do país.
Cooperação com a China
Para o vice-presidente da iFlytek, Ji Lin, a parceria reforça a trajetória de colaboração entre Brasil e China em ciência e tecnologia.
“A inteligência artificial está no centro da transformação global”, destacou. Ele ressaltou ainda que o desenvolvimento de capacidades ao longo de toda a cadeia é essencial para avançar na área.
Domínio completo da tecnologia
Carlos Rodrigo Lima, responsável pelo Centro de Excelência em Ciência de Dados e IA do Serpro, enfatizou que o objetivo vai além de usar soluções prontas.
A ideia é dominar todo o ciclo da inteligência artificial, desde a curadoria de dados até o treinamento, avaliação e operação dos sistemas.
Segundo ele, esse controle é fundamental para garantir que a tecnologia atenda às necessidades do Estado.
Infraestrutura e capacitação
Um dos pilares do acordo é o desenvolvimento de uma infraestrutura nacional de IA, incluindo data centers, nuvem segura e plataformas de dados integradas e escaláveis.
Além disso, a iniciativa prevê programas de capacitação, como intercâmbio de pesquisadores, cursos, visitas técnicas e concessão de bolsas de estudo.
Rumo à autonomia tecnológica
Com esse acordo, o Brasil busca fortalecer sua capacidade técnica e reduzir a dependência de soluções externas.
Mais do que uma parceria, a iniciativa representa um movimento estratégico para posicionar o país de forma competitiva na era da inteligência artificial — um campo cada vez mais decisivo para o futuro global.