Planeta enigma
Gabriela Oliveira
Gabriela Oliveira
| 28-04-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Planeta enigma

Um gigante que desafia teorias

Um exoplaneta distante tem colocado em xeque os modelos atuais de formação planetária.
Conhecido como TOI-5205 b, ele foi analisado pelo telescópio espacial James Webb, que identificou características inesperadas em sua atmosfera.
O estudo, publicado na revista The Astronomical Journal, foi conduzido por uma equipe internacional liderada por Caleb Cañas, do Goddard Space Flight Center, da Nasa.
Esse planeta é um gigante gasoso semelhante a Júpiter, mas orbita uma estrela anã vermelha — menor, mais fria e com apenas cerca de 40% da massa do Sol. Esse tipo de sistema já é considerado incomum pelos cientistas.

Por que esse sistema é raro

De acordo com as teorias atuais, estrelas pequenas não teriam material suficiente em seus discos de gás e poeira para formar planetas tão grandes. Por isso, objetos como TOI-5205 b são classificados como GEMS — sigla em inglês para “exoplanetas gigantes ao redor de estrelas anãs M”.
A existência desse tipo de planeta levanta dúvidas importantes sobre como esses mundos realmente se formam.

O que o telescópio revelou

As observações mostraram que a atmosfera do planeta possui uma quantidade surpreendentemente baixa de elementos pesados, como carbono e oxigênio, especialmente quando comparada à sua estrela hospedeira.
Esse resultado chama atenção porque contrasta com o que se observa em gigantes gasosos do nosso próprio Sistema Solar, como Júpiter.
Além disso, os cientistas detectaram a presença de metano e sulfeto de hidrogênio na atmosfera. Por outro lado, não houve evidência clara de vapor de água — algo que normalmente se espera encontrar.

Um interior diferente da atmosfera

Outro ponto que intrigou os pesquisadores foi a diferença entre a composição da atmosfera e do interior do planeta.
Modelos indicam que o interior de TOI-5205 b pode ser até 100 vezes mais rico em elementos pesados do que sua atmosfera. Isso sugere que esses materiais podem ter afundado em direção ao núcleo durante a formação do planeta, sem se misturar com as camadas externas.
Planeta enigma

Como os dados foram coletados

A equipe utilizou o telescópio James Webb para observar três trânsitos do planeta — momento em que ele passa na frente de sua estrela, bloqueando parte da luz.
Durante esse processo, instrumentos chamados espectrógrafos analisam a luz estelar que atravessa a atmosfera do planeta, permitindo identificar os elementos químicos presentes.
No entanto, a análise não foi simples. A estrela TOI-5205 é altamente ativa, com manchas escuras e regiões brilhantes que interferem nos dados.
Os cientistas compararam essa dificuldade a tentar observar o universo através de um vidro sujo, sendo necessário desenvolver métodos específicos para corrigir essa “contaminação”.

O que essa descoberta muda

Os resultados indicam que TOI-5205 b pode ter se formado de uma maneira diferente do que os modelos tradicionais sugerem.
A combinação de uma atmosfera pobre em elementos pesados com um interior rico nesses materiais aponta para um processo em que os elementos mais densos migraram para o núcleo durante a formação.
Essa descoberta não apenas ajuda a entender melhor esse exoplaneta específico, como também pode impactar o conhecimento sobre a formação de gigantes gasosos em geral.
Além disso, o fato de um planeta tão grande existir ao redor de uma estrela pequena sugere que as teorias atuais podem precisar ser revistas, abrindo caminho para novas interpretações sobre como surgem os mundos no universo.