Nova perereca
Larissa Rocha
| 30-04-2026

· Equipe de Animais
Uma nova espécie de perereca acaba de ser descoberta no Brasil — e ela vive em uma área extremamente limitada.
Encontrada no Cerrado do noroeste de Minas Gerais, a Ololygon paracatu foi registrada apenas em duas localidades próximas, no município de Paracatu, o que já acende um alerta sobre sua conservação.
Descoberta científica inédita
A pesquisa foi conduzida por cientistas de instituições brasileiras e internacionais, incluindo a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e o Museo Argentino de Ciencias Naturales.
O estudo foi publicado na revista científica Zootaxa e seguiu métodos modernos de identificação de espécies.
A confirmação envolveu análises genéticas, características físicas e até o som da vocalização do animal, prática comum em estudos com anfíbios. Coleções biológicas também foram essenciais para validar a descoberta.
Características da nova espécie
De pequeno porte, a nova perereca apresenta diferenças claras em relação a outras do mesmo gênero.
Os machos medem entre 20,4 e 28,2 milímetros, enquanto as fêmeas são um pouco maiores, variando de 29,3 a 35,2 milímetros.
Além das distinções físicas, a espécie também se diferencia por aspectos acústicos e moleculares, reforçando sua classificação como uma nova espécie.
Habitat restrito e sensível
Assim como outras pererecas do gênero, a Ololygon paracatu vive em matas de galeria — áreas florestais que acompanham pequenos cursos d’água, como córregos de correnteza rápida e leito rochoso.
Esse tipo de ambiente é essencial para a sobrevivência da espécie, mas também bastante vulnerável a impactos ambientais.
A descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade do Cerrado e marca a oitava espécie do gênero identificada nesse bioma.
Nome com mensagem ambiental
O nome da espécie faz referência ao Rio Paracatu, um importante afluente do Rio São Francisco.
Mais do que uma homenagem geográfica, a escolha tem um objetivo claro: chamar atenção para a preservação dos ambientes aquáticos onde o animal vive.
Alerta para conservação
Segundo a pesquisadora Daniele Carvalho, a proteção dos riachos da região é fundamental para garantir a sobrevivência da espécie e o equilíbrio hídrico local.
Ela ressalta que a descrição científica torna a espécie visível não só para a comunidade acadêmica, mas também para políticas públicas de conservação.
O alerta é urgente: alguns dos riachos analisados já apresentam sinais de degradação, como assoreamento.
Importância para o Cerrado
Para o professor Reuber Brandão, da UnB, a descoberta é resultado de anos de pesquisa e reforça a relevância do Cerrado como um dos biomas mais ricos — e ameaçados — do planeta.
A identificação de espécies com distribuição tão limitada destaca a necessidade de proteger esses ecossistemas.
Mais do que uma descoberta científica, a nova perereca é um lembrete: preservar a biodiversidade é essencial para manter o equilíbrio ambiental.