Plano clima
Thiago Lima
Thiago Lima
| 30-04-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
Plano clima
O Brasil deu um passo importante na agenda ambiental com o lançamento do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, apresentado nesta segunda-feira (16/3), em Brasília.
O documento, chamado de Plano Clima, será o principal instrumento de planejamento do país para enfrentar a crise climática até 2035.
O anúncio foi feito no Palácio do Planalto, após reunião do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), que reúne diferentes pastas do governo federal envolvidas na construção da estratégia.

Meta ambiciosa de redução de emissões

O plano estabelece como objetivo reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com os níveis de 2005. Além disso, o Brasil reafirma o compromisso de alcançar a neutralidade climática até 2050.
A proposta também orienta o país no cumprimento da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), prevista no Acordo de Paris, e integra ações de mitigação e adaptação aos impactos climáticos.

Construção ao longo de três anos

O Plano Clima foi elaborado ao longo de três anos com participação de 25 ministérios, sob coordenação da Casa Civil, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O processo também preenche uma lacuna histórica: a atualização do plano ocorre 17 anos após sua primeira versão, lançada em 2008.

Ciência no centro da estratégia

Para o governo, o novo plano marca uma mudança de abordagem, colocando a ciência como base das decisões.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que o país passa a agir com mais antecipação diante da crise climática.
“Não estamos apenas reagindo aos desastres, estamos antecipando soluções”, afirmou.

Impactos já sentidos pela população

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte da realidade brasileira.
Ela citou eventos extremos como enchentes, secas, deslizamentos e incêndios recentes em diferentes regiões do país.
“Vivemos uma situação gravíssima de emergência climática”, destacou.
Plano clima

Justiça climática como prioridade

O Plano Clima tem como base três pilares: desenvolvimento sustentável, transição justa e justiça climática.
A proposta reconhece que os impactos climáticos não atingem todos da mesma forma, afetando com mais força populações vulneráveis.
Por isso, as ações previstas buscam reduzir desigualdades e proteger direitos sociais, ambientais e econômicos.

Estrutura do plano

O documento é dividido em três eixos principais:
Mitigação: redução das emissões de gases de efeito estufa em diferentes setores da economia;
adaptação: fortalecimento da capacidade do país de enfrentar eventos climáticos extremos;
estratégias transversais: financiamento, educação, inovação, monitoramento e transparência.
Ao todo, o plano reúne 312 metas setoriais e mais de 800 ações para implementação.

Setores estratégicos envolvidos

As medidas abrangem áreas como agricultura, energia, indústria, transportes, saúde, cidades, recursos hídricos e biodiversidade.
Também incluem políticas voltadas a povos indígenas, comunidades tradicionais, igualdade racial e agricultura familiar, reforçando a dimensão social da política climática.

Gestão e acompanhamento

O Plano Clima prevê acompanhamento contínuo, com avaliações a cada dois anos e revisões estruturais a cada quatro anos.
A ideia é garantir que as metas sejam cumpridas e que o país consiga se adaptar a novos desafios ao longo do tempo.

Participação ampla da sociedade

A construção do plano contou com ampla participação social, envolvendo cerca de 24 mil pessoas em consultas, oficinas e plenárias em todo o país.
Também houve contribuições de especialistas, instituições científicas e organizações sociais, resultando em milhares de propostas incorporadas ao documento.

Um compromisso de longo prazo

Com o Plano Clima, o Brasil busca se posicionar de forma mais ativa na agenda climática global, unindo desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Mais do que um documento estratégico, o plano representa um compromisso de longo prazo com o futuro do país — e com a resposta à crise climática que já está em curso.