Gelo Frágil
Mariana Silva
Mariana Silva
| 07-05-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
A camada de gelo da Groenlândia sempre foi vista como uma das estruturas mais estáveis do sistema climático da Terra.
No entanto, novas descobertas revelam um histórico muito mais delicado do que se imaginava — e isso pode mudar a forma como entendemos o futuro do planeta.
Gelo Frágil
Pesquisadores que perfuram profundamente o gelo da região encontraram evidências de que o Prudhoe Dome, um dos pontos mais altos da camada de gelo, chegou a derreter completamente há cerca de 7 mil anos.
Esse período coincide com o Holoceno, uma fase de aquecimento natural considerado relativamente estável. Mesmo assim, foi suficiente para causar uma perda significativa de gelo.

Perfurações revelam pistas do passado

O projeto GreenDrill, liderado pela Universidade de Buffalo e financiado pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA, está perfurando a Groenlândia para acessar materiais preservados sob o gelo há milhares de anos.
Na expedição de 2023, os cientistas perfuraram cerca de 1.700 pés (aproximadamente 520 metros) no Prudhoe Dome, coletando amostras de rochas e sedimentos.
Para datar o material, foi usada a técnica de luminescência, que identifica quando minerais foram expostos pela última vez à luz solar. Os resultados indicam que o gelo nessa região desapareceu entre 6.000 e 8.200 anos atrás.

O que isso significa para o futuro

Sinais de alerta para o aquecimento atual
As descobertas levantam uma preocupação importante: o aquecimento atual do planeta pode atingir níveis semelhantes aos registrados no início do Holoceno até o fim deste século.
Naquela época, as temperaturas eram entre 3°C e 5°C mais altas do que hoje — um cenário que pode voltar a se repetir.
Se isso ocorrer, o derretimento da Groenlândia pode acelerar, contribuindo diretamente para a elevação do nível do mar e colocando em risco áreas costeiras em todo o mundo.
Os cientistas agora tentam identificar regiões mais vulneráveis da camada de gelo para prever onde o derretimento pode começar primeiro.

Uma janela para a história climática

Dados que ajudam a entender o presente
O pesquisador Jason Briner, co-líder do GreenDrill, afirma que o projeto reúne um verdadeiro “tesouro de dados” sobre o clima do passado da Groenlândia.
Além de ajudar a reconstruir a história do gelo, as amostras podem conter vestígios de antigos ambientes, incluindo possíveis restos de vegetação que existiam na região antes do avanço da camada de gelo.
Essas informações ajudam a aprimorar modelos climáticos usados para prever o comportamento futuro das calotas polares.

Um gelo mais vulnerável do que se pensava

Lições do passado para o presente
O fato de o Prudhoe Dome ter derretido durante um período de aquecimento considerado “moderado” é um alerta importante para os cientistas.
Isso indica que a Groenlândia pode ser mais sensível às mudanças de temperatura do que os modelos anteriores sugeriam.
Com o aquecimento global atual, que ocorre em ritmo mais rápido e impulsionado por atividades humanas, o risco de mudanças aceleradas no gelo se torna ainda mais preocupante.
Gelo Frágil

O que vem pela frente

Ciência em busca de respostas
O trabalho do GreenDrill está apenas começando. Novas perfurações estão previstas para outras áreas do Prudhoe Dome, especialmente onde o gelo é mais fino e potencialmente mais instável.
Essas análises devem ajudar a entender não apenas o passado da Groenlândia, mas também como sua camada de gelo pode reagir nas próximas décadas.

Um alerta para o planeta

A descoberta de que partes da Groenlândia já derreteram no passado reforça uma mensagem importante: o gelo que hoje parece permanente pode não ser tão resistente quanto se imaginava.
Com o avanço do aquecimento global, compreender esses ciclos naturais é essencial para prever impactos, especialmente a elevação do nível do mar.
Mais do que uma descoberta científica, o estudo serve como um lembrete de como pequenas mudanças na temperatura global podem ter efeitos profundos e duradouros em todo o planeta.