Jatos Negros
Amanda Fernandes
Amanda Fernandes
| 07-05-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Pela primeira vez, astrônomos conseguiram medir com precisão a potência total dos jatos emitidos por um buraco negro — e os resultados chamaram atenção.
O objeto estudado foi o Cygnus X-1, um dos buracos negros mais conhecidos do universo. Esses jatos liberam uma quantidade de energia equivalente à de 10 mil sóis.
A descoberta foi possível graças ao uso de uma rede global de radiotelescópios, praticamente do tamanho de um planeta, que permitiu observar esse fenômeno cósmico com um nível de detalhe nunca alcançado antes.

Ventos estelares revelam a força dos jatos

Interação com uma estrela gigante
O estudo analisou o Cygnus X-1 e sua estrela companheira, uma supergigante. Ao observar como os jatos do buraco negro interagem com os fortes ventos estelares dessa estrela, os pesquisadores conseguiram entender melhor sua verdadeira força.
Esses jatos foram apelidados de “jatos dançantes”, já que mudam constantemente de direção ao serem desviados pelos ventos da estrela. Foi justamente esse comportamento que ajudou os cientistas a medir sua energia com mais precisão.
Jatos Negros

Medindo a força em tempo real

Um avanço inédito na astrofísica
O grande diferencial do estudo foi a capacidade de medir a potência instantânea dos jatos. Antes, os cientistas trabalhavam apenas com médias que podiam representar milhares ou até milhões de anos.
Agora, pela primeira vez, foi possível observar a energia liberada em momentos específicos, oferecendo uma visão muito mais precisa de como os buracos negros funcionam na prática.
Outro dado importante é que esses jatos chegam a cerca de metade da velocidade da luz — aproximadamente 150 mil quilômetros por segundo —, o que os torna um dos fenômenos mais rápidos já observados no espaço.

Como os buracos negros influenciam o espaço

O autor principal do estudo, o Dr. Steve Prabu, da Curtin University, destacou a importância dos chamados “jatos dançantes”. Segundo ele, eles mostram como os buracos negros transferem energia para o ambiente ao redor.
A pesquisa revelou ainda que cerca de 10% da energia gerada pela matéria que cai no buraco negro é desviada para esses jatos. Até então, essa era apenas uma hipótese teórica, agora confirmada por observações diretas.
“Esses resultados validam modelos já existentes e ajudam a refiná-los”, explicou o pesquisador.

Um novo padrão para a física dos buracos negros

Comparações mais precisas no futuro
O professor James Miller-Jones, também autor do estudo, destacou que essa medição em tempo real cria uma nova base para entender como buracos negros interagem com o ambiente cósmico.
Antes, não era possível comparar a força dos jatos com outras formas de energia emitidas por esses objetos, como raios X. Agora, isso se torna viável.
Ele também ressaltou que projetos futuros, como o Square Kilometre Array Observatory, permitirão expandir esse tipo de medição para buracos negros em outras galáxias.
Jatos Negros

Impacto na formação das galáxias

Os jatos de buracos negros desempenham um papel essencial na evolução das galáxias. Eles podem influenciar a formação de estrelas e até o crescimento das próprias galáxias ao redor.
Com essa nova forma de medição, os cientistas passam a entender melhor como esses objetos extremos moldam o universo em larga escala.
Segundo o Dr. Prabu, esse avanço abre novas portas para estudos sobre a formação galáctica e o papel dos buracos negros em diferentes regiões do cosmos.

O futuro das descobertas

Com os dados do Cygnus X-1, os pesquisadores agora têm uma referência importante para analisar outros buracos negros.
À medida que novas tecnologias e observatórios entram em operação, será possível mapear com mais precisão como esses jatos influenciam o universo.
O estudo marca um avanço significativo na astrofísica moderna e reforça que os buracos negros continuam sendo um dos maiores mistérios — e também um dos campos mais promissores — da ciência atual.