Cafés em alta
Carolina Santos
| 08-05-2026

· Equipe de Alimentação
O Brasil começa a mostrar que não é apenas uma potência na produção de café, mas também um nome forte quando o assunto é degustação.
O crescimento de cafeterias nacionais em rankings internacionais revela um novo momento para a bebida no país — mais sofisticado, curioso e aberto a experiências.
De ideia simples a referência internacional
A história do setor passa por iniciativas ousadas. Há cerca de uma década, o arquiteto Gabriel Penteado decidiu mudar de rumo profissional e apostar no empreendedorismo.
Sem experiência no ramo, mas com paixão por café, transformou um quarto na casa dos pais, na Vila Madalena, em São Paulo, em um pequeno negócio.
Assim nasceu o Cupping Café, em 2017, com uma proposta despretensiosa — e que acabaria se tornando pioneira.
Hoje, o espaço é símbolo de uma tendência em expansão: o fortalecimento do mercado de cafés especiais no Brasil.
O reconhecimento que atravessa fronteiras
O avanço desse segmento é impulsionado por cafeterias que investem em grãos de diferentes origens, torra cuidadosa e métodos de preparo variados. O que parecia um modismo rapidamente se consolidou como um mercado promissor — e agora também reconhecido lá fora.
O Cupping Café aparece novamente no ranking World’s 100 Best Coffee Shops, considerado o mais importante do setor. Desta vez, divide o protagonismo com outro representante brasileiro: a Coffee Five, localizada no centro do Rio de Janeiro.
Uma tradição que busca valorização interna
A presença do Brasil nesse seleto grupo chega em um momento simbólico. Em breve, o país celebrará 300 anos desde a chegada do café, produto que moldou sua economia e ainda hoje garante liderança global, com cerca de 38% da produção mundial.
Apesar dessa relevância, há um paradoxo: a maior parte dos grãos de alta qualidade ainda é exportada. Só recentemente o mercado interno passou a valorizar e explorar o consumo de cafés especiais.
Consumo cresce, mas ainda é tímido
Embora o interesse esteja aumentando, o segmento de cafés especiais ainda representa apenas 1% do consumo total no varejo, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Mesmo assim, os sinais de crescimento são claros. Um deles vem do comportamento do consumidor: jovens entre 16 e 25 anos lideram o interesse pela bebida, impulsionados pela expansão das cafeterias e pela curiosidade em descobrir novos sabores e aromas.
Baristas ganham protagonismo
Outro fator importante é a profissionalização do setor. Os baristas — especialistas em preparo e torra — se tornaram peças-chave nessa transformação.
O interesse por cursos e formação na área está em alta, como destaca a empresária Isabela Raposeiras, referência no segmento e fundadora da Coffee Lab, em São Paulo. A busca por conhecimento reflete um público cada vez mais interessado em entender e apreciar melhor o café.
Experiência sensorial em destaque
Nas cafeterias modernas, o café vai além da bebida do dia a dia e se transforma em uma experiência. Métodos de preparo elaborados, quase científicos, ajudam a criar sabores únicos e despertam novos sentidos.
Esse movimento acompanha uma tendência global. No ranking internacional, nomes como Onyx Coffee Lab, dos Estados Unidos, e Tim Wendelboe, da Noruega, dividem espaço com casas da América Latina, como a Alquimia Coffee, de El Salvador.
No Brasil, a Coffee Five segue essa linha. Com cerca de dezoito versões da bebida e equipamentos que lembram um laboratório, o espaço aposta em experiências sensoriais completas, com preços acessíveis. A proposta é clara: transformar cada visita em um momento único de descoberta.
No fim das contas, o tradicional cafezinho brasileiro ganha novos contornos — agora com um toque de sofisticação e reconhecimento internacional.