Planetas gêmeos
Ana Pereira
Ana Pereira
| 13-05-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu registrar um fenômeno raro no universo: dois planetas se formando ao mesmo tempo ao redor de uma estrela jovem.
A descoberta oferece uma janela inédita para entender como sistemas planetários — como o nosso — surgem e evoluem.
Planetas gêmeos
O estudo foi publicado na última terça-feira (24) na revista científica The Astrophysical Journal Letters e contou com observações realizadas por telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.

Um retrato do passado do Sistema Solar

A estrela observada, chamada WISPIT 2, ainda está cercada por um vasto disco de gás e poeira — matéria-prima para a formação de planetas. Esse cenário lembra muito o que os cientistas acreditam ter sido o início do nosso próprio Sistema Solar.
Para os pesquisadores, trata-se da visão mais próxima que já tivemos do nosso passado cósmico.
Esta é apenas a segunda vez que a ciência consegue observar diretamente dois planetas se formando simultaneamente ao redor de uma mesma estrela. O único caso anterior conhecido era o sistema PDS 70.
No entanto, o sistema de WISPIT 2 apresenta diferenças importantes. Seu disco é maior e mais organizado, com anéis bem definidos e lacunas visíveis — sinais claros de que outros planetas podem estar surgindo ali.
Planetas gêmeos

Como os planetas foram identificados

O primeiro planeta detectado, batizado de WISPIT 2b, já havia sido identificado anteriormente. Ele possui uma massa quase cinco vezes maior que a de Júpiter e orbita sua estrela a uma distância equivalente a cerca de 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol.
Depois dessa descoberta, os cientistas perceberam indícios de um segundo objeto próximo à estrela.
Para confirmar sua natureza, foram utilizados dois instrumentos avançados do ESO: o SPHERE, acoplado ao Very Large Telescope (VLT), responsável por capturar uma imagem direta; e o GRAVITY+, conectado ao interferômetro do VLT, que validou tratar-se de um planeta.
O resultado foi a confirmação de WISPIT 2c, um segundo planeta ainda mais massivo, com o dobro da massa do primeiro e localizado quatro vezes mais próximo da estrela. Ambos são gigantes gasosos, semelhantes a Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar.

Um terceiro planeta pode estar surgindo

O processo de formação planetária começa em um disco giratório de poeira e gás ao redor de uma estrela recém-nascida. Com o tempo, partículas se unem, formando aglomerados cada vez maiores até darem origem a protoplanetas.
Esse crescimento deixa marcas visíveis: lacunas no disco, rodeadas por anéis de material. É exatamente esse padrão que os astrônomos observaram em WISPIT 2. Duas dessas lacunas já estão ocupadas pelos planetas em formação, mas há uma terceira, mais distante e menor, que levanta novas suspeitas.
Os cientistas acreditam que um terceiro planeta pode estar nascendo ali, possivelmente com uma massa semelhante à de Saturno.
A equipe pretende investigar essa região com mais profundidade nos próximos anos. Com a chegada do Extremely Large Telescope, atualmente em construção no deserto do Atacama, no Chile, os pesquisadores esperam obter imagens ainda mais detalhadas — e talvez confirmar a existência desse possível novo planeta.