Robotáxis em Zagreb
João Cardoso
João Cardoso
| 18-05-2026
Equipe de Veículos · Equipe de Veículos
A empresa croata Verne, fundada por Mate Rimac, anunciou uma mudança importante em seus planos para lançar um serviço de robotáxis ainda este ano em Zagreb, capital da Croácia.
A iniciativa, que antes apostava em tecnologia própria e maior independência, agora segue um caminho mais pragmático e global.
Robotáxis em Zagreb
A companhia decidiu adotar o sistema de direção autônoma da chinesa Pony.AI e utilizar o modelo Arcfox Alpha T5 como base dos veículos. Além disso, o serviço será integrado à plataforma da Uber, que também deve investir na empresa.

O que mudou no plano original

Inicialmente, a Verne pretendia desenvolver um robotáxi próprio, com design exclusivo de dois lugares, sem volante e com foco total em conforto. A tecnologia seria fornecida pela Mobileye, empresa ligada à Intel.
Esse modelo representava uma abordagem mais independente, baseada em engenharia interna e desenvolvimento proprietário.
Agora, a estratégia mudou: em vez de construir tudo do zero, a empresa passa a integrar um ecossistema já testado em outros mercados, acelerando o caminho até a operação comercial.

IA no centro da mobilidade

A Pony.AI já opera sistemas de robotáxis na China e planeja expandir sua atuação para regiões como Oriente Médio e Sudeste Asiático. A adoção dessa tecnologia reflete uma tendência crescente no setor: a corrida pela autonomia veicular depende cada vez mais de dados reais, testes em larga escala e inteligência artificial aplicada à direção.
Na prática, isso significa menos tempo de desenvolvimento e mais foco em colocar veículos autônomos nas ruas com segurança e eficiência.

Parceria global em três frentes

O novo projeto da Verne reúne três atores principais:
- pony.AI, responsável pelo sistema de direção autônoma;
- fabricante do Arcfox Alpha T5, que fornece o veículo base;
- uber, que integrará o serviço à sua plataforma global.
Nesse modelo, a Verne assume o papel de operação local, cuidando de logística, adaptação às regras da Croácia e desenvolvimento de seu próprio aplicativo.
A estrutura segue uma tendência já vista no setor, em que empresas de mobilidade combinam tecnologias de diferentes fornecedores para acelerar a expansão.

Pressão por resultados

A mudança também foi influenciada por prazos e exigências financeiras. A Verne recebeu cerca de € 180 milhões em subsídios da União Europeia para desenvolver seu projeto de robotáxi, com metas claras de progresso dentro de um cronograma definido.
Havia ainda a necessidade de demonstrar avanços até o fim de março, sob risco de devolução parcial dos recursos. Nesse contexto, adotar uma solução já pronta se tornou uma alternativa estratégica para garantir o início das operações no prazo.
Mesmo com a nova abordagem, a empresa afirma que o desenvolvimento de seu veículo próprio não foi abandonado e seguirá como um projeto de longo prazo.
Robotáxis em Zagreb

Corrida global pela autonomia

A decisão da Verne mostra como o setor de mobilidade autônoma está mudando rapidamente. Mais do que criar veículos do zero, as empresas agora competem pela capacidade de integrar sistemas de inteligência artificial, processar grandes volumes de dados e garantir segurança em tempo real.
Nesse cenário, a IA se torna o principal diferencial competitivo — e parcerias tecnológicas passam a ser tão importantes quanto inovação interna.

Um novo modelo de negócio

A movimentação da empresa croata reforça uma tendência global: a construção de serviços de mobilidade autônoma em rede, com colaboração entre fabricantes, desenvolvedores de IA e plataformas de transporte.
Mais do que uma mudança técnica, trata-se de uma reconfiguração estratégica do setor — onde velocidade de implementação pode ser tão decisiva quanto a tecnologia em si.