Brasil vira tendência
Isabela Costa
Isabela Costa
| 19-05-2026
Equipe de Viagens · Equipe de Viagens
O Turismo mundial entra em 2026 vivendo uma transformação profunda.
Mais do que a recuperação após a pandemia, o setor passa por uma verdadeira mudança de rota — desde o que motiva as viagens até a forma como destinos e empresas se posicionam no mercado internacional.
Brasil vira tendência
É nesse contexto que o Brasil ganha destaque. O país não aparece apenas como um destino em crescimento, mas como um dos mais alinhados às principais tendências globais. Essa leitura está na 7ª edição da revista Tendências do Turismo 2026, produzida pelo Ministério do Turismo em parceria com Embratur e Braztoa.
O estudo mapeia 18 movimentos estruturais que ajudam a entender o comportamento do viajante atual e orientar estratégias do setor, combinando dados internacionais e percepções do mercado brasileiro.

Brasil no radar internacional

A diversidade cultural, a riqueza natural e a expansão da conectividade aérea colocaram o Brasil no centro das atenções. Em 2025, o país recebeu 9,3 milhões de turistas estrangeiros, um crescimento de 38% — o maior avanço global, segundo a ONU Turismo, além de um recorde histórico.
Ao mesmo tempo, a malha aérea internacional cresceu 34%, com aumento de 37,5% na oferta de assentos. Esse movimento reposiciona o Brasil: deixa de ser um destino de nicho e passa a atuar como plataforma estratégica de experiências.
A percepção dos visitantes reforça esse cenário positivo. Cerca de 90% recomendariam o Brasil, enquanto apenas 2% relatam experiências negativas.

Tecnologia e autenticidade caminham juntas

O viajante de hoje é mais informado, estratégico e guiado por emoções. Ele utiliza inteligência artificial e plataformas digitais para planejar, mas busca vivências reais, conexão cultural e bem-estar.
Segundo o estudo, não há conflito entre tecnologia e autenticidade. Pelo contrário: o Turismo de 2026 combina planejamento digital avançado com experiências profundas e significativas.

O que está moldando as viagens

A lógica do setor mudou. Destinos não competem apenas por preço ou infraestrutura — disputam significado.
Entre as principais tendências:
- bem-estar em alta
O Turismo de saúde deixou de ser nicho e virou prioridade. Viagens agora incluem spas naturais, terapias integrativas, yoga, trilhas e experiências de reconexão emocional. Viajar passa a ser menos fuga e mais reorganização pessoal;
- esporte como experiência
Além de assistir eventos, turistas querem vivenciar o esporte: visitar estádios, participar de corridas, explorar roteiros de golfe ou ciclismo e se conectar com comunidades esportivas;
- gastronomia protagonista
Comer deixou de ser um detalhe. O turista quer provar a cultura local, visitar mercados, conhecer produtores e participar de experiências culinárias;
- set-jetting em expansão
Filmes e séries seguem influenciando destinos. Produções audiovisuais impulsionam viagens e reposicionam lugares no cenário global;
nostalgia e pertencimento
Viagens que resgatam memórias ganham força: roteiros históricos, experiências vintage e reconexão com origens familiares;
- natureza com propósito
Mais do que paisagens, o foco está em contemplação, silêncio e autoconhecimento. Surge também o turismo climático, voltado a locais ameaçados;
- eventos como motores de viagem
Cerca de 65% das buscas no Airbnb estão ligadas a grandes eventos, reforçando o papel de festivais, shows e competições no fluxo turístico;
- brazilcore em evidência
Elementos da cultura brasileira — como cores, música, futebol e diversidade — viraram tendência global e ajudam a impulsionar o interesse pelo país.

Mais interesse e novas estratégias

A conectividade aérea continua sendo peça-chave para o crescimento do Turismo. Nos últimos três anos, o Brasil ampliou significativamente sua presença internacional, com mais rotas e assentos disponíveis.
Outro ponto importante é o papel da geração Z. Com forte poder de consumo nas próximas décadas, esse público exige conexão emocional com os destinos, o que já influencia estratégias do setor.
Além disso, o Brasil busca atrair um visitante que permaneça mais tempo, gaste mais e viaje fora da alta temporada, fortalecendo um modelo mais sustentável.
Brasil vira tendência

O que muda para o setor

Para destinos, o foco sai da simples divulgação de atrativos e passa para a construção de narrativas. Natureza, cultura e gastronomia viram experiências integradas, exigindo planejamento, identidade e calendário de eventos bem estruturado.
A regionalização ganha força, abrindo espaço para cidades médias e destinos menos explorados, o que amplia oportunidades e promove o desenvolvimento local.
Para operadoras e agências, a transformação é ainda mais profunda. O modelo tradicional perde espaço para um turismo mais personalizado. O viajante busca curadoria, propósito e experiências únicas.
Nesse cenário, agentes deixam de ser intermediários e assumem o papel de consultores, enquanto operadoras apostam em roteiros temáticos, storytelling e produtos exclusivos para se destacar.
Eventos também se consolidam como oportunidade estratégica, criando novas temporadas de venda ao longo do ano e reduzindo a dependência dos períodos tradicionais.

Um viajante mais consciente

Para o turista, a mudança está na forma de planejar e viver a viagem. A tecnologia ajuda na escolha, mas a decisão final continua emocional.
No fim das contas, o que define o destino não é apenas o preço ou a praticidade — é a experiência, a conexão e o significado que aquela viagem pode oferecer.