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Laura Almeida
Laura Almeida
| 22-05-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia

Um novo ciclo da tecnologia no Brasil

A aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 redefiniu o debate sobre tecnologia no país.
Segundo levantamento da AWS, cerca de 9 milhões de empresas já utilizam IA de forma sistemática — um crescimento de 29% em apenas um ano.
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Mas, enquanto a inteligência artificial ocupa o centro das atenções, outras tecnologias avançam de forma menos visível e começam a estruturar uma transformação ainda mais profunda no ecossistema digital brasileiro.

Tendências que vão além do hype

Um levantamento que cruza dados do Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação aponta um novo padrão: as prioridades tecnológicas agora passam por integração, segurança e aplicabilidade real.
Na prática, apenas uma parte das tendências globais se adapta ao Brasil. Fatores como infraestrutura, regulação e maturidade digital definem o que realmente pode ser escalado no país.

Desenvolvimento de software com IA

As plataformas nativas de IA estão mudando a forma como softwares são criados. Em vez de código tradicional, aplicações inteiras podem ser desenvolvidas a partir de comandos em linguagem natural.
Essas ferramentas ajudam a reduzir a dependência de desenvolvedores e aceleram a entrega de soluções digitais, especialmente em um cenário de alta demanda e escassez de profissionais.

Automação mais inteligente

A automação de processos evoluiu para o modelo conhecido como IPA (Intelligent Process Automation/ Automação Inteligente de Processos), que vai além de tarefas repetitivas.
Agora, sistemas conseguem interpretar documentos, entender linguagem natural e tomar decisões com base em aprendizado de máquina. Soluções que antes eram restritas a grandes corporações já chegam a empresas médias por meio de plataformas em nuvem e ferramentas low-code.

Segurança digital mais preditiva

A cibersegurança também entra em uma nova fase. O conceito de segurança preditiva usa IA para antecipar ameaças antes que elas aconteçam, analisando padrões de comportamento e automatizando respostas.
Setores como bancos, telecom e varejo já começam a adotar esse modelo, reduzindo o tempo de resposta a incidentes e aumentando a proteção contra ataques complexos.

Nuvem como infraestrutura estratégica

O uso de cloud computing já faz parte da rotina de 77% das empresas brasileiras, e mais da metade delas utiliza a nuvem como base principal de operação.
Esse movimento também reflete uma preocupação crescente com soberania de dados. Um exemplo é a Nuvem de Governo Soberana, que já conecta mais de 250 órgãos públicos e reforça o controle nacional sobre informações sensíveis.

Nova arquitetura de dados

Modelos como Data Lakehouse e Data Mesh ganham espaço nas empresas que buscam mais velocidade e organização no uso de dados.
Essas estruturas ajudam a reduzir silos de informação e permitem análises mais rápidas e eficientes, algo essencial em um ambiente cada vez mais orientado por dados.

Decisões em tempo real

Tomar decisões com base em dados instantâneos já é realidade em setores como finanças, varejo e telecom. Bancos bloqueiam fraudes em milissegundos e empresas ajustam ofertas em tempo real conforme o comportamento do usuário.
O próximo passo é a chamada inteligência de decisões, que combina dados, regras de negócio e IA para apoiar ou até automatizar escolhas estratégicas.

IA especializada por setor

Os modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs) surgem como resposta às limitações dos modelos genéricos. Eles são treinados com dados de setores como saúde, jurídico e finanças, oferecendo mais precisão e adequação regulatória.
A tendência é que, nos próximos anos, esse tipo de modelo se torne o padrão da IA corporativa.
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Conectividade como base invisível

Com mais de 1.500 municípios com cobertura 5G e 45 milhões de conexões em fibra óptica, o Brasil avança na construção da base que sustenta todas essas tecnologias.
Mesmo com desafios em áreas rurais e periferias, a infraestrutura digital já permite aplicações mais avançadas, como IA em tempo real, edge computing e operações remotas.

Um novo estágio da maturidade digital

O conjunto dessas tendências indica uma mudança clara: o Brasil entra em uma fase de maturidade digital, onde eficiência, governança e confiabilidade passam a ser mais importantes do que modismos tecnológicos.
Nos próximos anos, o diferencial não estará apenas em adotar novas tecnologias, mas em integrá-las de forma estruturada. Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser suporte e passa a ocupar o centro da estratégia de crescimento das empresas.