Bactéria na água Crystal
Gustavo Rodrigues
Gustavo Rodrigues
| 18-06-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a chamar atenção após ser identificada em lotes de água mineral.
Desta vez da marca Crystal que estão sendo recolhidos do mercado. Trata-se do mesmo micro-organismo encontrado meses antes em produtos da Ypê.
Nesta quarta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou a contaminação e publicou uma resolução reforçando a necessidade do recall da água, além de determinar a suspensão da comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados.
De acordo com a fabricante, o processo de recolhimento já havia sido iniciado mesmo sem registros de reclamações por parte dos consumidores, e 99,2% das garrafas distribuídas já foram retiradas dos pontos de venda. Mas o que faz essa bactéria aparecer com tanta frequência em casos de contaminação industrial?

O que é a Pseudomonas aeruginosa?

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria presente naturalmente no meio ambiente, sendo encontrada na água e no ar.
Ela pode provocar diferentes tipos de infecção, incluindo quadros graves como pneumonia, meningite e septicemia (infecção generalizada), especialmente em ambientes hospitalares ou durante tratamentos de saúde, como os realizados por pacientes com câncer em quimioterapia.
“Essa bactéria só costuma causar infecções em situações específicas, geralmente dentro de hospitais e em pessoas bastante debilitadas”, explica o infectologista Renato Grinbaum, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Bactéria na água Crystal

Por que ela aparece em processos industriais?

Um dos principais motivos é sua capacidade de formar biofilmes, uma espécie de camada viscosa criada pelo agrupamento de bactérias.
Essa película adere a superfícies como tubulações, tanques, equipamentos e embalagens, funcionando como um escudo protetor. Como resultado, a eliminação do micro-organismo se torna mais difícil, mesmo após processos de limpeza e desinfecção.
“A bactéria pode ser encontrada mesmo na presença de concentrações significativas de cloro residual livre”, afirma o infectologista Thiago Vitoriano, do Hospital Samaritano Higienópolis.
Essa resistência favorece sua presença em ambientes industriais, principalmente em locais com umidade, vazamentos ou falhas na fonte de água utilizada.
Segundo Vitoriano, ela também consegue sobreviver por longos períodos em diferentes tipos de água, incluindo água potável e destilada.
Apesar disso, a simples presença da bactéria não significa necessariamente um risco imediato à saúde. No entanto, ela pode indicar alguma falha no processo produtivo que precisa ser investigada.
“Esse problema pode estar relacionado a diferentes etapas, desde a captação da água até os processos de envase, desinfecção, armazenamento ou transporte”, explica Grinbaum.
O especialista ressalta que situações desse tipo não são incomuns na indústria e fazem parte dos mecanismos de controle de qualidade.
“Qualquer produto, seja uma meia, um pneu ou uma água potável, pode apresentar problemas durante a produção. O fato de a empresa identificar a falha e divulgar o lote afetado, impedindo seu consumo, é algo positivo”, destaca.
Grinbaum também elogia o trabalho dos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis por fiscalizações independentes para verificar o cumprimento das normas e garantir a segurança dos produtos disponibilizados ao consumidor.

A bactéria pode ser perigosa?

Nem sempre.
O principal risco associado à Pseudomonas aeruginosa está relacionado a ambientes hospitalares e a pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes internados, transplantados ou em tratamento contra o câncer.
Quando provoca infecções mais graves, porém, o tratamento pode ser complicado em alguns casos.
Isso ocorre porque determinadas cepas da bactéria, especialmente as encontradas em hospitais, desenvolveram resistência a diversos antibióticos ao longo do tempo. Nessas situações, medicamentos normalmente eficazes podem não funcionar, exigindo combinações terapêuticas ou tratamentos mais complexos.
Por esse motivo, a bactéria está entre os micro-organismos que mais preocupam especialistas em controle de infecções hospitalares.
Para a população em geral, entretanto, ela raramente causa problemas graves.

Como saber se minha água é imprópria para consumo?

O recall atual envolve especificamente a água mineral sem gás Crystal, na embalagem de 500 ml, produzida pela Mineração Bom Jesus Ltda., localizada em Luziânia, Goiás.
O lote afetado pode ser identificado pelo código:
LZ1 VAL200127 3 P 200126
As unidades foram fabricadas em 20/01/2026 e possuem validade até 20/01/2027.
Ao todo, o lote reúne 374,4 mil garrafas distribuídas principalmente no Distrito Federal, além de cidades dos seguintes estados:

Locais onde o lote foi distribuído

- Goiás: Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás, Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão;
- Tocantins: Arraias, Combinado e Novo Alegre;
- São Paulo: Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí.
Apesar disso, a simples presença da bactéria não significa necessariamente um risco imediato à saúde. No entanto, ela pode indicar alguma falha no processo produtivo que precisa ser investigada.
“Esse problema pode estar relacionado a diferentes etapas, desde a captação da água até os processos de envase, desinfecção, armazenamento ou transporte”, explica Grinbaum.
O especialista ressalta que situações desse tipo não são incomuns na indústria e fazem parte dos mecanismos de controle de qualidade.
“Qualquer produto, seja uma meia, um pneu ou uma água potável, pode apresentar problemas durante a produção. O fato de a empresa identificar a falha e divulgar o lote afetado, impedindo seu consumo, é algo positivo”, destaca.
Grinbaum também elogia o trabalho dos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis por fiscalizações independentes para verificar o cumprimento das normas e garantir a segurança dos produtos disponibilizados ao consumidor.

A bactéria pode ser perigosa?

Nem sempre. O principal risco associado à Pseudomonas aeruginosa está relacionado a ambientes hospitalares e a pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes internados, transplantados ou em tratamento contra o câncer.
Quando provoca infecções mais graves, porém, o tratamento pode ser complicado em alguns casos. Isso ocorre porque determinadas cepas da bactéria, especialmente as encontradas em hospitais, desenvolveram resistência a diversos antibióticos ao longo do tempo.
Nessas situações, medicamentos normalmente eficazes podem não funcionar, exigindo combinações terapêuticas ou tratamentos mais complexos.
Por esse motivo, a bactéria está entre os micro-organismos que mais preocupam especialistas em controle de infecções hospitalares. Para a população em geral, entretanto, ela raramente causa problemas graves.

Como saber se minha água é imprópria para consumo?

O recall atual envolve especificamente a água mineral sem gás Crystal, na embalagem de 500 ml, produzida pela Mineração Bom Jesus Ltda., localizada em Luziânia, Goiás.
O lote afetado pode ser identificado pelo código: LZ1 VAL200127 3 P 200126. As unidades foram fabricadas em 20/01/2026 e possuem validade até 20/01/2027. Ao todo, o lote reúne 374,4 mil garrafas distribuídas principalmente no Distrito Federal, além de cidades.
Bactéria na água Crystal

Locais onde o lote foi distribuído

- Goiás: Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás, Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão;
- Tocantins: Arraias, Combinado e Novo Alegre;
- São Paulo: Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí.