Arte em Brasília
Amanda Fernandes
Amanda Fernandes
| 06-07-2026
Equipe de Estilo de Vida · Equipe de Estilo de Vida
Quem estiver em Brasília tem até este domingo (21) para visitar a exposição “Joaquín Torres García – 150 anos”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
A mostra é gratuita e reúne cerca de 500 obras, incluindo pinturas, desenhos, esculturas e documentos que ajudam a contar a trajetória do artista uruguaio e sua influência em diferentes gerações de criadores latino-americanos.

América invertida em destaque

Obra simboliza nova forma de enxergar o continente americano.
Um dos principais destaques da exposição é “América Invertida” (1943), desenho que se tornou um dos símbolos mais conhecidos do pensamento de Joaquín Torres García.
Na obra, o artista propõe uma inversão do mapa tradicional das Américas, colocando o Sul no topo da representação. A ideia questiona a visão hierárquica do mundo e propõe uma nova forma de interpretar a geografia e a cultura.
O gesto influenciou artistas como Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Anna Bella Geiger, e continua sendo referência importante na arte contemporânea.
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Peças raras e universo criativo

Exposição revela objetos e cadernos do artista uruguaio.
Além das obras mais conhecidas, o público também pode ver peças menos exibidas do artista. Entre elas estão os “juguetes”, brinquedos de madeira criados pela família Torres García na década de 1920.
Esses objetos eram feitos artesanalmente e podiam ser desmontados e reorganizados, refletindo o caráter experimental da produção do artista.
Outro destaque são os “carnets”, cadernos e manuscritos que misturam desenhos, anotações e reflexões sobre arte e sociedade. Neles, aparecem com frequência símbolos como sóis, peixes e figuras humanas, formando uma linguagem visual própria que se tornou marca registrada de sua obra.

Diálogo com artistas brasileiros

Mostra conecta legado de Torres García à produção artística no Brasil.
A exposição também estabelece pontes entre o pensamento de Torres García e artistas brasileiros de diferentes épocas.
Entre os destaques está o brasiliense Josafá Neves, que apresenta a série “Diáspora”, voltada à ancestralidade afro-brasileira e à memória de Solano Trindade, importante poeta e ativista da cultura negra no país.
Outro nome presente é o do poeta e diplomata Luiz Carlos Lessa Vinholes, com a obra “Cinco poemas geométricos”, que aproxima literatura e artes visuais em diálogo com os princípios geométricos do artista uruguaio.
Ao longo do percurso, obras de nomes como Rubem Valentim, Djanira e Arthur Bispo do Rosário ampliam a discussão sobre identidade e mostram como as ideias de Torres García seguem influenciando a arte latino-americana.

Quem foi joaquín torres garcía

Artista uruguaio criou o universalismo construtivo.
Nascido em Montevidéu, em 1874, Joaquín Torres García teve uma carreira internacional, passando por cidades como Barcelona, Nova York e Paris antes de retornar ao Uruguai.
Foi nesse percurso que desenvolveu o Universalismo Construtivo, proposta artística que buscava unir geometria e símbolos ancestrais em uma linguagem capaz de atravessar fronteiras culturais.
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Serviço

Exposição gratuita segue até domingo no CCBB Brasília.
A mostra está em cartaz até o dia 21 de junho, das 9h às 21h, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no site oficial.
O CCBB Brasília oferece uma van gratuita entre a Biblioteca Nacional e o centro cultural, de quinta a domingo. O transporte funciona mediante retirada de ingresso e opera com saídas da biblioteca entre 13h e 20h, com retornos do CCBB até 21h30. O embarque está sujeito à lotação, com capacidade máxima de 10 pessoas.