Ciência global
Mariana Silva
Mariana Silva
| 06-07-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
A colaboração entre cientistas de diferentes países é um dos pilares para o avanço da ciência e da inovação.
Com esse objetivo, pesquisadores brasileiros tiveram a oportunidade de conhecer novas formas de cooperação internacional durante um evento realizado na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, no Rio de Janeiro.
O encontro apresentou programas e iniciativas que buscam aproximar cientistas do Brasil e da Europa, especialmente na área da saúde.

Bilhões destinados à pesquisa

Horizonte 2020 é o maior programa de financiamento científico do mundo.
Um dos destaques do evento foi a apresentação do Horizonte 2020 (H2020), programa da União Europeia voltado ao financiamento de projetos de pesquisa e inovação. A iniciativa conta com mais de 80 bilhões de euros destinados ao desenvolvimento científico e tecnológico.
Embora seja financiado pela União Europeia, o programa não se restringe aos países do bloco. Pesquisadores de diversas partes do mundo podem participar das chamadas e desenvolver projetos em parceria com instituições europeias.
Além das oportunidades de financiamento, o workshop também trouxe orientações práticas sobre como ingressar no programa e aumentar as chances de aprovação de propostas.
O encontro foi promovido pelo projeto EU-LAC Health, pela Euraxess e pela Fiocruz, reunindo representantes da União Europeia, fundações de apoio à pesquisa e pesquisadores de diferentes instituições.

Apoio para carreira internacional

Euraxess ajuda cientistas a encontrar oportunidades na europa.
Entre os participantes do evento estava Charlotte Grawitz, representante da Euraxess no Brasil. A iniciativa tem como missão incentivar a mobilidade acadêmica e fortalecer a cooperação científica entre a Europa e outros continentes.
Segundo Grawitz, a Euraxess oferece informações adaptadas à realidade dos pesquisadores brasileiros, facilitando o acesso a oportunidades de trabalho, bolsas de estudo e financiamento.
Por meio da plataforma Euraxess Jobs & Funding, os profissionais podem consultar milhares de vagas e programas de apoio em diversas áreas do conhecimento.
Além disso, a rede oferece suporte para pesquisadores e seus familiares durante o processo de mudança para a Europa, auxiliando na adaptação ao novo país e à nova instituição.
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Interesse brasileiro cresce

Cortes de recursos impulsionam busca por oportunidades no exterior.
De acordo com Charlotte Grawitz, a redução dos investimentos em ciência no Brasil tem levado um número cada vez maior de pesquisadores a procurar oportunidades internacionais.
Ela destaca que muitos jovens cientistas tiveram contato com experiências acadêmicas no exterior por meio do programa Ciência sem Fronteiras e perceberam os benefícios desse intercâmbio para suas carreiras.
Outro atrativo é o programa Marie Sklodowska Curie (MSCA), iniciativa da Comissão Europeia que oferece formação avançada para pesquisadores. Além do desenvolvimento científico, o programa também incentiva competências como gestão de equipes e comunicação científica.

Parceria valorizada pelos europeus

Brasil ganha cada vez mais espaço no cenário científico internacional.
O interesse pela cooperação não parte apenas dos pesquisadores brasileiros. Segundo Grawitz, a crescente presença do Brasil na produção científica global despertou a atenção de instituições e cientistas europeus.
Para ela, os pesquisadores brasileiros têm muito a contribuir em projetos internacionais, o que fortalece o interesse por novas parcerias e amplia as possibilidades de colaboração entre os dois lados.

Projeto fortalece cooperação

Incobra aproxima instituições brasileiras e europeias.
Os participantes também conheceram o Incobra, projeto financiado pelo Horizonte 2020 que tem como objetivo ampliar a cooperação científica e tecnológica entre o Brasil e a União Europeia.
Segundo André Barbosa, consultor sênior da Sociedade Portuguesa de Inovação e coordenador da iniciativa, o projeto busca aproximar pesquisadores e instituições para estimular a criação de projetos conjuntos e aumentar a mobilidade acadêmica.
Apesar dos avanços, Barbosa observa que ainda são mais frequentes as iniciativas partindo de pesquisadores europeus em direção a instituições brasileiras do que o contrário.
Mesmo assim, ele ressalta que existe um reconhecimento mútuo da importância dessa parceria, acompanhado de esforços políticos para superar barreiras que ainda limitam a cooperação científica.

Áreas com maior colaboração

Setores estratégicos lideram os projetos conjuntos.
Entre os campos que concentram mais parcerias entre Brasil e União Europeia estão as ciências marinhas, as energias renováveis — especialmente os biocombustíveis —, as tecnologias da informação e comunicação, a agricultura e a bioeconomia.
Essas áreas são consideradas estratégicas por seu potencial de inovação e impacto econômico, tornando-se prioridade em diversas iniciativas de cooperação internacional.
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Nova oportunidade a caminho

Edital vai apoiar redes bilaterais de pesquisa.
Entre as próximas ações previstas, o Incobra pretende lançar uma chamada para a criação de redes de cooperação entre instituições brasileiras e europeias.
A iniciativa selecionará consórcios formados por entidades dos dois lados do Atlântico, que receberão apoio técnico para desenvolver propostas destinadas à obtenção de recursos do Horizonte 2020.
A expectativa é que a medida fortaleça ainda mais a integração científica entre Brasil e União Europeia, abrindo caminho para novos projetos de pesquisa e inovação com alcance internacional.