Mapa dos solos
Amanda Fernandes
| 09-07-2026

· Equipe de Estilo de Vida
O Brasil está prestes a dar um passo importante para conhecer melhor seu território.
A criação de um novo mapa dos solos brasileiros promete reunir informações detalhadas sobre as características do solo em todo o país.
Oferecendo uma base estratégica para políticas públicas, planejamento ambiental, agricultura e concessão de crédito rural.
Coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos) reunirá diversos ministérios e órgãos federais e tem como meta mapear todos os solos do território nacional ao longo dos próximos 30 anos.
Mapeamento ainda cobre uma pequena parte do país
Falta de dados limita o planejamento
De acordo com o agrônomo Amaury de Carvalho Filho, pesquisador da Embrapa Solos e um dos coordenadores do programa, apenas cerca de 5% do território brasileiro possui mapas de solos na escala de 1:100 mil ou em níveis ainda mais detalhados.
Além da cobertura reduzida, as informações existentes estão dispersas e são de difícil acesso, o que dificulta seu uso por gestores públicos, pesquisadores e produtores rurais.
Segundo o especialista, os primeiros levantamentos pedológicos — estudos voltados à identificação, caracterização e mapeamento dos solos — começaram na década de 1950 para atender ao planejamento regional. No entanto, limitações financeiras e a escassez de profissionais especializados impediram a ampliação desses estudos em maior nível de detalhe.
A partir do início da década de 1990, os levantamentos sistemáticos de solos promovidos pelos governos federal e estaduais foram interrompidos, criando uma lacuna que o PronaSolos pretende preencher.
Informações serão úteis para diversos setores
Benefícios vão muito além da agricultura
Embora o projeto tenha grande impacto no setor agropecuário, suas aplicações vão muito além do campo. O mapeamento dos solos poderá orientar atividades agrícolas, florestais e pecuárias, além de apoiar ações de preservação ambiental.
Os dados também servirão de base para o planejamento de obras de infraestrutura, como estradas, definição de áreas urbanas, escolha de locais para disposição de resíduos e estudos geológicos.
Segundo Carvalho Filho, conhecer melhor as características do solo permite aumentar a eficiência no uso de insumos agrícolas, elevar a produtividade e, ao mesmo tempo, preservar os recursos naturais.
Investimento bilionário e ganhos de longo prazo
Programa prevê retorno já na primeira década
O PronaSolos conta com um orçamento estimado em R$ 5,5 bilhões. Apesar de ser um projeto de longa duração, a expectativa é que os primeiros benefícios sejam percebidos já nos próximos dez anos.
Além de impulsionar a produção agrícola, o programa deverá fortalecer o desenvolvimento sustentável, fornecer informações para políticas públicas em todo o país e integrar o trabalho de diferentes instituições, reduzindo custos e evitando a duplicação de esforços.
Projeto será dividido em três etapas
Cronograma prevê conclusão em até 30 anos
O programa foi estruturado em três fases com objetivos específicos. Na primeira etapa, prevista para os quatro primeiros anos, os estudos serão concentrados em áreas consideradas prioritárias.
Os resultados iniciais devem começar a ser apresentados em cerca de dois anos, contemplando aproximadamente 430 mil quilômetros quadrados, área equivalente à soma dos estados de São Paulo e Paraná.
Entre o quarto e o décimo ano, a segunda fase ampliará o levantamento para mais 1,3 milhão de quilômetros quadrados de áreas agricultáveis, extensão semelhante à de toda a Região Nordeste.
Já na etapa final, entre o décimo e o trigésimo ano, o programa prevê mapear 1 milhão de quilômetros quadrados na escala 1:50.000, 250 mil quilômetros quadrados na escala 1:25.000 e 6,9 milhões de quilômetros quadrados na escala 1:100.000, em que cada centímetro do mapa representa um quilômetro no terreno.
Capacitação e recursos são os principais desafios
Formação de especialistas será essencial
Para Amaury de Carvalho Filho, um dos maiores obstáculos será preparar novos profissionais para atuar no levantamento de solos, já que o país passou muitos anos sem desenvolver esse tipo de mapeamento em larga escala.
Outro desafio considerado fundamental será garantir recursos financeiros suficientes para manter o programa ativo durante todo o período previsto de 30 anos, assegurando a continuidade das pesquisas e o alcance das metas estabelecidas.