Saúde infantil no Brasil
Ana Pereira
Ana Pereira
| 16-07-2026
Equipe de Ciências · Equipe de Ciências
Ter filhos no Brasil ou se mudar para o país com crianças costuma trazer uma dúvida importante: como garantir o acesso aos cuidados de saúde?
O sistema brasileiro oferece opções públicas e privadas, além de um calendário nacional de vacinação obrigatório.

Sistema público e privado de saúde

De forma geral, existem dois caminhos principais para atendimento médico no Brasil: o sistema público e o privado. Apesar da ideia comum de que o serviço público sempre tem baixa qualidade e o privado oferece os melhores cuidados, essa comparação nem sempre corresponde à realidade.
Há hospitais privados com serviços considerados ruins, enquanto algumas das instituições de maior prestígio do país, principalmente em atendimento especializado e pesquisa científica, estão ligadas a universidades públicas, como o Hospital das Clínicas, em São Paulo.
- Atendimento público pelo SUS
Todo cidadão brasileiro tem direito ao atendimento público de saúde, pelo menos em teoria. Esse sistema é chamado de SUS, sigla para Sistema Único de Saúde.
Qualquer pessoa que procure um hospital público no Brasil tem direito a receber atendimento. Normalmente, é necessário apresentar um documento de identificação, como RG ou carteira de motorista. Em unidades administradas pelo município, pode ser solicitado um comprovante de residência em situações que não sejam emergências.
Na prática, muitos hospitais públicos enfrentam dificuldades, como superlotação, estrutura limitada e falta de médicos. Em alguns casos, o tempo de espera pode ser bastante longo, principalmente para consultas e atendimentos que não são considerados urgentes.
Mesmo com esses desafios, o SUS continua sendo uma alternativa essencial, principalmente em emergências e para famílias que ainda não conseguem pagar um plano de saúde privado.
O sistema oferece diversas coberturas importantes, incluindo grande parte das vacinas obrigatórias, acompanhamento de gestantes, assistência ao parto e medicamentos gratuitos para algumas doenças, como diabetes e hipertensão;
- atendimento privado
Segundo dados do IBGE de 2010, 26,3% da população brasileira possuía algum tipo de plano de saúde privado. Entre essas pessoas, 82,5% tinham renda mensal de pelo menos cinco salários mínimos.
Os valores dos planos privados variam bastante conforme a operadora, idade dos beneficiários e tipo de cobertura contratada. Como exemplo, um plano de saúde para idosos podia variar entre R$ 250 e R$ 850 por mês, tornando a pesquisa de opções uma etapa importante antes da contratação.
O benefício de assistência médica também é considerado um dos mais importantes oferecidos pelas empresas aos funcionários. Como os custos podem ser altos para muitas famílias brasileiras, o plano corporativo costuma ser a principal forma de acesso ao serviço privado.

Como incluir uma criança no plano de saúde

No Brasil, não é muito comum contratar um plano de saúde exclusivamente para uma criança. A maioria das famílias prefere adquirir um plano familiar e incluir os filhos como dependentes.
Quem pode ser dependente?
Em geral, os filhos precisam ter menos de 21 anos para serem incluídos como dependentes. Esse limite pode variar conforme a operadora, já que alguns planos aceitam dependentes até os 24 anos, mas 21 anos é a regra mais comum.
Alguns planos familiares consideram como membros da família todas as pessoas que vivem na mesma residência. Nos planos empresariais, normalmente são incluídos cônjuge e filhos menores de 21 anos, embora alguns contratos também permitam adicionar os pais do titular.
Quando o plano familiar é pago diretamente pela família, e não pela empresa empregadora, o valor integral precisa ser pago para todos os integrantes. Um exemplo citado no levantamento é uma família com pais entre 29 e 33 anos e dois filhos de zero a 18 anos, que pagaria cerca de R$ 700 por mês em um plano básico.
Nos planos corporativos, a situação costuma ser diferente. Em muitos casos, é possível adicionar familiares que se enquadrem nas regras do plano familiar por um valor mais acessível. Outra vantagem é que os planos empresariais normalmente não possuem o mesmo período de carência, que pode chegar a nove meses para cirurgias simples em alguns contratos individuais.
Para quem prefere pagar apenas pelo atendimento da criança, os valores informados variavam entre R$ 41,80 e R$ 141,22 por mês.
Inclusão de recém-nascidos
Quando o plano oferece cobertura obstétrica, o bebê recém-nascido pode ser incluído sem cumprir período de carência, desde que a inclusão seja feita em até 30 dias após o nascimento ou adoção.
Para adicionar a criança ao plano de saúde, também é necessário emitir o CPF do bebê.
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Vacinas obrigatórias para crianças

Ao estabelecer residência no Brasil, é necessário seguir o calendário nacional de vacinação.
As vacinas obrigatórias são divididas em grupos de idade: crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Ao nascer:
- BCG-ID: protege contra formas graves de tuberculose, com aplicação em dose única;
- primeira dose da vacina contra hepatite B.
No primeiro mês:
- segunda dose da vacina contra hepatite B.
Aos dois meses:
- primeira dose da vacina tetravalente (DTP + Hib), que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B;
- primeira dose da VOP, vacina oral contra poliomielite;
- primeira dose da VORH, vacina oral contra rotavírus humano, que previne diarreias causadas pelo vírus;
- segunda dose da vacina tetravalente (DTP + Hib).
Aos quatro meses:
- segunda dose da VOP contra poliomielite;
- segunda dose da VORH contra rotavírus humano.
Aos seis meses:
- terceira dose da vacina tetravalente (DTP + Hib);
- terceira dose da VOP contra poliomielite;
- terceira dose da vacina contra hepatite B.
Aos nove meses:
- vacina contra febre amarela, em dose única.
Aos 12 meses:
- SRC (tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola), em dose única.
Aos 15 meses:
- reforço da VOP contra poliomielite;
- primeiro reforço da DTP (tríplice bacteriana), contra difteria, tétano e coqueluche.
Dos quatro aos seis anos:
- segundo reforço da DTP;
- reforço da SRC (tríplice viral).
Aos 10 anos:
- reforço da vacina contra febre amarela.

Carteira de vacinação infantil

A carteira de vacinação registra todas as vacinas recebidas pela criança. Algumas empresas solicitam esse documento para funcionárias que possuem filhos menores de cinco anos, principalmente por causa de benefícios destinados a mães com crianças pequenas.
Um desses benefícios é o Salário Família, uma iniciativa do governo federal na qual mães com renda inferior a R$ 915,05 recebiam um valor entre R$ 22,00 e R$ 32,00 por filho menor de 14 anos, conforme os dados apresentados no artigo original.
A carteira de vacinação também pode ser solicitada junto com um comprovante escolar, mostrando que a criança está frequentando a escola. Além disso, ela pode ajudar no acesso a outros benefícios oferecidos por empresas, no planejamento de ausências profissionais relacionadas à saúde dos filhos e no cálculo do imposto de renda.
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Vacinas pagas e recomendadas

Além das vacinas obrigatórias, existem outras imunizações que podem ser recomendadas pelo pediatra, mesmo sem fazerem parte do calendário obrigatório.
Quem possui plano de saúde geralmente pode ter essas vacinas cobertas pelo contrato. Já quem depende exclusivamente do SUS pode precisar pagar por elas do próprio bolso.
Os valores dessas vacinas variam conforme o tipo. Alguns exemplos citados são a vacina contra influenza, com custo a partir de R$ 60,00, e a vacina contra pneumonia, que podia chegar a R$ 260,00.