Peruas icônicas
Rafael Oliveira
| 17-07-2026

· Equipe de Veículos
O comparativo que reuniu seis clássicas
Hoje elas perderam espaço para os SUVs e crossovers, mas há algumas décadas as peruas eram o símbolo das viagens em família.
Em vez de aviões nas férias, muitos brasileiros colocavam pais, filhos e bagagens dentro desses modelos espaçosos para encarar longas estradas.
Em dezembro de 1985, durante as férias de fim de ano, a revista QUATRO RODAS colocou seis peruas nacionais à prova em um grande comparativo: Volkswagen Quantum CG, Volkswagen Parati GLS, Fiat Panorama CL, Ford Scala Ghia, Chevrolet Caravan Diplomata e Chevrolet Marajó SL.
A conclusão inicial da reportagem era clara: para escolher a melhor perua, era preciso considerar o uso principal. A prioridade seria viajar na estrada ou circular na cidade? O carro levaria muita carga? O espaço era importante, mas desempenho, consumo, conforto e dirigibilidade também pesavam na decisão.
A força da Caravan e a eficiência da Parati
Com seu motor de 4.100 cm³, a Caravan Diplomata foi a grande vencedora em desempenho. A perua da Chevrolet alcançou 174,3 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 100 km/h em 12,2 segundos, números impressionantes para um modelo de 1.224 kg.
Logo atrás apareceu a Parati GLS, equipada com motor 1.6, que conseguiu superar a Quantum CG 1.8 nas medições de desempenho. Marajó, Panorama e Scala completaram a classificação.
Apesar de a Ford Scala Ghia atingir velocidade máxima superior à Fiat Panorama, ela recebeu a menor nota entre as duas porque sua aceleração era quase dois segundos mais lenta.
O consumo mudou completamente o cenário
O enorme motor da Caravan tinha uma grande vantagem em potência, mas perdeu feio quando o assunto era economia. A liderança ficou dividida entre Panorama e Parati, que registraram médias de 13,45 km/l e 13,41 km/l na estrada, respectivamente.
Marajó, Quantum e Scala também apresentaram resultados considerados satisfatórios.
Apesar dos 4,1 litros de cilindrada, o motor da Chevrolet não foi escolhido como o melhor conjunto mecânico. A avaliação apontava que o propulsor era antigo e não apresentava uma boa relação entre cilindrada e potência.
A vitória ficou com os motores Volkswagen: o 1.6 da Parati e o 1.8 da Quantum. Ambos trabalhavam muito bem com o câmbio manual de cinco marchas, que tinha escalonamento adequado e engates precisos.
Quantum e Parati também se destacaram em condução mais esportiva. Panorama e Scala ficaram atrás por apresentarem engates um pouco mais ásperos. A Marajó tinha um câmbio considerado duro, enquanto a Caravan usava apenas quatro marchas — uma quinta ajudaria bastante a reduzir o consumo.
Segurança, direção e estabilidade
Em uma viagem familiar, a segurança era um dos pontos mais importantes.
No teste de frenagem, todas as peruas tiveram desempenho equilibrado: mantiveram a trajetória mesmo em situações de emergência e apresentaram distâncias consideradas normais até a parada completa.
Na direção, Caravan, Quantum e Scala levavam vantagem pelo sistema hidráulico, que deixava o volante mais leve. Na época, esse equipamento era de série apenas na perua da General Motors.
Nenhuma das seis conseguiu abrir grande vantagem em estabilidade. Todas transmitiam confiança ao motorista. Quando estavam carregadas, as curvas exigiam mais cuidado, com trajetórias mais longas e respostas um pouco mais lentas, mas sem comprometer o resultado geral.
A Parati foi considerada a perua com o conjunto mais equilibrado, reunindo bom comportamento, posição de dirigir e estabilidade.
Design e conforto eram diferenciais
No quesito estilo, a Quantum CG levou vantagem graças ao desenho mais moderno. A reportagem destacou o equilíbrio das linhas e a presença das quatro portas, embora sugerisse que o modelo poderia melhorar com um pequeno rebaixamento da carroceria.
Na Parati, o principal ponto negativo estava na traseira, considerada um pouco desconectada do restante do carro.
A Quantum também venceu em conforto, principalmente pelos bancos espaçosos e envolventes.
Painel completo e espaço para bagagem
A melhor posição de dirigir ficou com a Parati GLS, que contava com banco regulável em altura. Marajó, Panorama e Scala receberam avaliações menores porque seus bancos seguravam pouco o corpo nas curvas.
Além disso, o volante da Panorama ficava em uma posição mais horizontal, prejudicando a ergonomia.
A Scala tinha o painel mais completo
Apesar de não oferecer a melhor posição ao volante, a Ford Scala Ghia foi destaque pelo painel. O conjunto era completo, fácil de ler e oferecia todas as informações necessárias para o motorista.
As demais peruas tiveram desempenho equilibrado nesse aspecto, com destaque para Caravan e Quantum pelo conta-giros de bom diâmetro.
Nas viagens de férias, o porta-malas era fundamental. Caravan, Quantum e Scala, por serem modelos mais caros, saíam de fábrica com bagageiro no teto e uma tampa divisória no compartimento de carga para proteger as malas.
Com essa tampa instalada, o espaço disponível era semelhante ao dos modelos que deram origem às peruas.
Sem a divisória, porém, a Quantum assumiu a liderança com capacidade para 796 litros. A Caravan oferecia 774 litros e a Scala 768 litros.
A Marajó ficou muito atrás, com apenas 469 litros de capacidade, obrigando os passageiros a reduzir a quantidade de bagagem.
O silêncio também entrou na disputa
Na avaliação de ruído, a Caravan Diplomata foi considerada a mais silenciosa, seguida de perto pela Quantum CG.
A Parati GLS, por ser uma versão mais luxuosa, ficou em terceiro lugar nesse quesito. Já a Scala Ghia decepcionou, apresentando nível de ruído semelhante ao das Belina anteriormente avaliadas.
A Panorama perdeu pontos pelo barulho do câmbio quando o carro estava em ponto morto.
Resultados do teste de dezembro de 1985
Aceleração de 0 a 100 km/h
- Parati GLS: 13,1 s;
- Quantum CG: 14,2 s;
- Panorama CL: 18,5 s;
- Scala Ghia: 20,5 s;
- Caravan Diplomata: 12,2 s;
- Marajó SL: 15,8 s.
Velocidade máxima
- Parati GLS: 162 km/h;
- Quantum CG: 160 km/h;
- Panorama CL: 139,2 km/h;
- Scala Ghia: 141 km/h;
- Caravan Diplomata: 174,3 km/h;
- Marajó SL: 149,3 km/h.
Consumo médio
- Parati GLS: 10,45 km/l;
- Quantum CG: 9,64 km/l;
- Panorama CL: 10,36 km/l;
- Scala Ghia: 9,35 km/l;
- Caravan Diplomata: 5,01 km/l;
- Marajó SL: 10,09 km/l.
Preços em dezembro de 1985
- Parati GLS: Cr$ 65.287.000;
- Quantum CG: Cr$ 91.302.000;
- Panorama CL: Cr$ 45.521.000;
- Scala Ghia: Cr$ 90.282.000;
- Caravan Diplomata: Cr$ 115.333.000;
- Marajó SL: Cr$ 44.060.000.
Ficha técnica dos modelos
- A Parati GLS utilizava motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.596 cm³, carburador, 85 cv a 5.600 rpm e torque de 12,6 mkgf a 3.000 rpm. Tinha câmbio manual de cinco marchas e tração dianteira;
- a Quantum CG vinha com motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.781 cm³, carburador, 94 cv a 5.000 rpm e torque de 15,2 mkgf a 3.400 rpm. Também utilizava câmbio manual de cinco marchas e tração dianteira;
- a Fiat Panorama CL era equipada com motor dianteiro transversal de quatro cilindros, 1.297 cm³, carburador, 58,7 cv a 5.200 rpm e torque de 10 mkgf a 2.600 rpm;
- a Ford Scala Ghia usava motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.555 cm³, carburador, 71,7 cv a 5.000 rpm e torque de 11,9 mkgf a 2.400 rpm;
- a Chevrolet Caravan Diplomata era a mais potente do grupo, com motor dianteiro longitudinal de seis cilindros em linha, 4.093 cm³, carburador, 134 cv a 4.000 rpm e torque de 30,1 mkgf a 2.000 rpm;
- a Chevrolet Marajó SL tinha motor dianteiro longitudinal de quatro cilindros, 1.599 cm³, carburador, 72 cv a 5.600 rpm e torque de 12,3 mkgf a 3.200 rpm.