Santana vence duelo
Gustavo Rodrigues
| 20-07-2026

· Equipe de Veículos
No primeiro semestre de 1991, General Motors, Volkswagen e Ford colocaram no mercado três dos automóveis mais desejados do Brasil: o Monza Classic SE MPFI, o Santana GLS 2000i e o Versailles 2.0i Ghia.
Como os três modelos eram novidades e chegaram praticamente ao mesmo tempo, a revista QUATRO RODAS realizou um comparativo na edição de agosto daquele ano para descobrir qual deles merecia o título de rei dos sedãs de luxo.
O grande destaque dos três veículos era o nível de sofisticação, conforto e tecnologia oferecido para a época. Recursos que hoje parecem comuns eram considerados avançados há mais de 30 anos.
No Chevrolet Monza Classic SE MPFI, o principal atrativo era o painel digital com escalas coloridas, um item que chamava muita atenção nos anos 1990. O modelo também oferecia regulagem de altura do volante e ajustes de assento e encosto, permitindo uma posição de condução mais confortável.
O Monza era o mais sofisticado do trio
Além dos equipamentos de conforto, o sedã da Chevrolet trazia até sistema de som digital com recurso antifurto, algo bastante avançado naquele período.
O espaço interno era um ponto de diferença
Apesar do bom nível de conforto, Monza e Santana tinham uma característica que prejudicava o aproveitamento do banco traseiro.
Os dois modelos utilizavam uma divisão no encosto do banco traseiro que funcionava como apoio de braço. O recurso acabava reduzindo o espaço disponível e fazia com que o banco acomodasse melhor apenas dois passageiros.
O Versailles levava vantagem nesse aspecto, já que permitia transportar um terceiro ocupante no banco traseiro com mais conforto.
Design aerodinâmico aproximava Volkswagen e Ford
Os três sedãs seguiam uma tendência mundial de design da época, com frente mais afilada e traseira elevada.
A proposta não era apenas estética. O formato ajudava a melhorar a aerodinâmica, reduzir o consumo de combustível e aumentar o espaço disponível no porta-malas.
Nesse quesito, o trabalho realizado pela Volkswagen e pela Ford apresentou resultados melhores que o da General Motors.
Segundo a avaliação da época, o Monza manteve praticamente intacta a estrutura central do monobloco, incluindo as antigas calhas no teto. Já Santana e Versailles passaram por alterações mais profundas: o processo de soldagem do teto eliminou as calhas e aumentou a altura da carroceria, ampliando o espaço interno.
Apesar da evolução, os dois modelos da Autolatina ainda mantinham os tradicionais trincos nas maçanetas das portas.
Santana e Versailles tinham vantagem aerodinâmica
A melhora aerodinâmica dos modelos Volkswagen e Ford foi superior à do Monza. Santana e Versailles eram considerados irmãos de projeto por fazerem parte da Autolatina, joint venture entre Volkswagen e Ford que existiu de 1987 a 1996.
Nos testes de velocidade máxima, o Monza ganhou apenas 1 km/h em relação ao antigo Classic 500 EF, que também já utilizava injeção eletrônica.
Já a diferença entre o Santana GLSi e seu antecessor chegou a 6 km/h.
Santana e Versailles foram os mais rápidos do país
Mesmo pesando mais de 1.100 kg, Santana GLSi e Versailles Ghia surpreenderam pelo desempenho.
Os dois ultrapassaram a marca de 175 km/h e assumiram a posição de carros nacionais mais velozes da época. Além disso, fizeram a retomada de 40 a 100 km/h em pouco mais de 21 segundos.
O Monza, porém, teve vantagem na aceleração de 0 a 100 km/h. Mesmo com motor menos potente, conseguiu completar a prova em menos de 11 segundos, enquanto seus rivais ficaram acima dessa marca.
No teste de estabilidade, entretanto, o Chevrolet não conseguiu acompanhar a dupla da Autolatina.
A avaliação destacou que Santana e Versailles apresentavam comportamento capaz de impressionar até quem estava acostumado com carros esportivos. Nas frenagens fortes antes das curvas, os dois demonstraram excelente controle.
O Monza sofreu com a configuração da suspensão, que priorizava claramente o conforto em vez de uma condução mais esportiva.
Motor Volkswagen superava o conjunto da GM
Na parte mecânica, o Monza tinha um projeto mais moderno, com motor e câmbio posicionados transversalmente.
Essa solução permitia melhor aproveitamento da transmissão, com menor atrito e maior transferência de potência para as rodas.
Por outro lado, a revista apontou que os engates do câmbio do Chevrolet não eram tão precisos e fáceis quanto os encontrados no Santana e no Versailles.
Os modelos da Autolatina utilizavam o motor AP-2000i, que estava em um estágio mais avançado de desenvolvimento em relação ao propulsor 2.0i OHC da GM.
O motor Volkswagen também contava com ignição EZK, sistema capaz de atrasar o ponto de ignição quando ocorria detonação causada pela baixa qualidade da gasolina.
Esse recurso permitia trabalhar com taxa de compressão de 10:1, superior aos 8,8:1 do Monza, contribuindo para os maiores números de potência e torque.
AP-2000i entregava 125 cv e 19,5 mkgf
Enquanto o motor do Monza entregava 116 cv e 17,8 mkgf de torque, Santana e Versailles alcançavam 125 cv e 19,5 mkgf.
Versailles venceu no silêncio da cabine
Em veículos de luxo, o nível de ruído interno era um dos fatores mais importantes.
O Versailles foi o mais silencioso do comparativo, registrando 66,63 decibéis. O Monza ficou próximo, com 67,01 decibéis, enquanto o Santana marcou 67,42 decibéis.
Mesmo assim, nenhum dos três conseguiu oferecer o isolamento acústico esperado para modelos de luxo.
A revista comparou o nível de ruído dos sedãs ao som produzido por uma máquina de escrever em um escritório.
Santana foi eleito o rei dos sedãs de luxo
Os três modelos tinham qualidades suficientes para disputar o título de melhor carro brasileiro da época.
No resultado final do comparativo, porém, o Volkswagen Santana GLSi conquistou a vitória pelo equilíbrio geral entre desempenho, conforto, espaço e tecnologia.
Seu reinado poderia ser curto, já que o moderno Fiat Tempra chegaria apenas dois meses depois para desafiar os líderes do segmento.
Teste de pista: Monza, Santana e Versailles
Aceleração de 0 a 100 km/h
- Monza Classic: 10,8 segundos;
- santana GLSi: 11,12 segundos;
- versailles Ghia: 11,20 segundos.
velocidade máxima
- Monza Classic: 171 km/h;
- santana GLSi: 175,5 km/h;
- versailles Ghia: 175,8 km/h.
frenagem de 80 km/h a 0
- Monza Classic: 30,2 metros;
- santana GLSi: 27,7 metros;
- versailles Ghia: 29,8 metros.
consumo médio
- Monza Classic: 10,69 km/l;
- santana GLSi: 11,12 km/l;
- versailles Ghia:12,21 km/l.
Ficha técnica dos três sedãs
Monza Classic SE MPFI
- Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.998 cm³, injeção eletrônica, 116 cv a 5.400 rpm e 17,8 mkgf a 5.400 rpm;
- câmbio: manual de cinco marchas, tração dianteira;
- dimensões: 449 cm de comprimento, 166 cm de largura, 134 cm de altura, entre-eixos de 257 cm e peso de 1.129 kg;
- preço em agosto de 1991: cr$ 8.679.810.
santana GLSi
- Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 1.984 cm³, injeção eletrônica, 125 cv a 5.800 rpm e 19,5 mkgf a 3.000 rpm;
- câmbio: manual de cinco marchas, tração dianteira;
- dimensões: 457 cm de comprimento, 166 cm de largura, 141 cm de altura, entre-eixos de 254 cm e peso de 1.134 kg;
- preço em agosto de 1991: cr$ 8.886.443.
versailles Ghia
- Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, 1.984 cm³, injeção eletrônica, 125 cv a 5.800 rpm e 19,5 mkgf a 3.000 rpm;
- câmbio: manual de cinco marchas, tração dianteira;
- dimensões: 457 cm de comprimento, 168 cm de largura, 141 cm de altura, entre-eixos de 254 cm e peso de 1.135 kg;
- preço em agosto de 1991: cr$ 9.060.000.