Saúde Infantil no Brasil

· Equipe de Ciências
Como funciona a saúde infantil no Brasil
Famílias que se mudam para o Brasil com crianças ou que têm filhos no país costumam enfrentar uma dúvida importante: como garantir o atendimento médico adequado para os pequenos?
O sistema de saúde brasileiro oferece duas principais alternativas: atendimento público e atendimento privado. Embora muitas pessoas associem o setor público a uma qualidade inferior e o privado a melhores serviços, essa diferença nem sempre corresponde à realidade.
Existem hospitais privados com serviços de baixa qualidade, enquanto alguns dos centros médicos mais reconhecidos do Brasil em atendimento e pesquisa científica pertencem a universidades públicas, como o Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Atendimento público pelo SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante, pelo menos em teoria, acesso ao atendimento médico para todos os cidadãos brasileiros.
Qualquer pessoa que procure um hospital público no Brasil tem direito a receber atendimento. Normalmente, é necessário apresentar um documento de identificação, como RG ou carteira de motorista. Quando o hospital é administrado pelo município, pode ser solicitado também um comprovante de residência, principalmente em situações que não sejam de emergência.
Na prática, muitos hospitais públicos enfrentam problemas como superlotação, estrutura limitada e falta de médicos. Em alguns casos, o tempo de espera pelo atendimento pode ser longo, especialmente para consultas e serviços que não são urgentes.
Mesmo com essas dificuldades, o SUS continua sendo uma alternativa essencial em emergências e para famílias que ainda não conseguem contratar um plano privado.
O sistema público oferece diversas coberturas importantes para crianças, incluindo grande parte das vacinas obrigatórias, acompanhamento de gestantes, realização de partos e fornecimento gratuito de medicamentos para algumas doenças, como diabetes e hipertensão.
Atendimento privado e planos de saúde
A saúde privada depende do plano contratado
Os serviços podem variar bastante conforme a operadora escolhida e a rede de atendimento disponível. Segundo dados do IBGE citados no artigo original, em 2010 cerca de 26,3% da população brasileira possuía algum tipo de plano de saúde privado. Entre essas pessoas, 82,5% tinham renda mensal de pelo menos cinco salários mínimos.
Os valores dos planos também apresentam grande variação. Como exemplo, o artigo informa que um plano de saúde para idosos poderia custar entre R$ 250 e R$ 850 por mês, mostrando a importância de pesquisar antes de escolher uma operadora.
A assistência médica é frequentemente considerada um dos benefícios mais importantes oferecidos pelas empresas aos funcionários. Como os custos podem ser altos para muitas famílias brasileiras, o plano empresarial acaba sendo, em muitos casos, a principal forma de acesso ao atendimento privado.
Como incluir uma criança no plano de saúde
No Brasil, não é muito comum contratar um plano de saúde exclusivo para uma criança. A maioria das famílias prefere um plano familiar que inclua os filhos como dependentes.
Dependentes geralmente são filhos menores de 21 anos
Essa idade pode mudar conforme a operadora, já que algumas empresas aceitam dependentes com até 24 anos, mas 21 anos é o limite mais comum.
Alguns planos familiares consideram como membros da família apenas pessoas que moram na mesma residência. Nos planos empresariais, normalmente entram como dependentes o cônjuge e os filhos menores de 21 anos. Em alguns casos, também é possível incluir os pais do titular.
Para um plano familiar privado, ou seja, que não é pago pela empresa empregadora, todos os integrantes precisam ser pagos integralmente. O artigo cita como exemplo uma família com pais entre 29 e 33 anos e dois filhos de zero a 18 anos, com custo mensal aproximado de R$ 700 para um plano básico.
Nos planos empresariais, a situação pode ser diferente. Em muitos casos, é possível incluir familiares elegíveis por um valor mais acessível. Outra vantagem é que essa modalidade geralmente não possui período de carência, que pode chegar a nove meses para cirurgias simples em alguns planos individuais.
Para quem prefere pagar apenas pelo atendimento da criança, sem contratar um plano completo, o artigo aponta valores entre R$ 41,80 e R$ 141,22 por mês.
Recém-nascidos têm regras específicas
Se o plano oferecer cobertura obstétrica, o bebê pode ser incluído sem cumprir carência, desde que a inclusão seja feita em até 30 dias após o nascimento ou a adoção. Também é necessário emitir o CPF da criança para adicioná-la ao plano.
Vacinas obrigatórias para crianças
Ao estabelecer residência no Brasil, as crianças precisam seguir o calendário nacional de vacinação.
As vacinas obrigatórias são organizadas por grupos de idade: crianças, adolescentes, adultos e idosos.
Ao nascer:
- BCG-ID: protege contra formas graves de tuberculose (dose única);
- Primeira dose da vacina contra hepatite B.
No primeiro mês:
- Segunda dose da vacina contra hepatite B.
Aos dois meses:
- primeira dose da vacina tetravalente (DTP + Hib), que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B;
- primeira dose da VOP, vacina oral contra poliomielite;
- primeira dose da VORH, vacina oral contra rotavírus humano, que previne diarreias causadas pelo vírus;
- segunda dose da vacina tetravalente (DTP + Hib).
Aos quatro meses:
- segunda dose da VOP contra poliomielite;
- segunda dose da VORH contra rotavírus humano.
Aos seis meses:
- terceira dose da vacina tetravalente (DTP + Hib);
- terceira dose da VOP contra poliomielite;
- terceira dose da vacina contra hepatite B.
Aos nove meses:
- vacina contra febre amarela (dose única).
Aos 12 meses:
- SRC (tríplice viral: sarampo, caxumba e rubéola), em dose única.
Aos 15 meses:
- reforço da VOP contra poliomielite;
- primeiro reforço da DTP (tríplice bacteriana), contra difteria, tétano e coqueluche.
Dos quatro aos seis anos:
- segundo reforço da DTP;
- reforço da SRC (tríplice viral).
Aos dez anos:
- reforço da vacina contra febre amarela.
Carteira de vacinação infantil
A carteira de vacinação registra todas as vacinas recebidas pela criança e pode ser solicitada em diferentes situações.
Algumas empresas pedem esse documento para funcionárias que têm filhos menores de cinco anos, pois ele pode estar relacionado ao acesso a benefícios como o Salário-Família, programa do governo federal destinado a trabalhadores com renda inferior ao limite estabelecido.
No artigo original, o benefício citado variava entre R$ 22,00 e R$ 32,00 por filho menor de 14 anos para mães com rendimento abaixo de R$ 915,05.
A carteira de vacinação também costuma ser apresentada junto com o comprovante escolar da criança. O documento pode ajudar no acesso a outros benefícios oferecidos por empresas, no planejamento de ausências do trabalho por motivos de saúde dos filhos e em cálculos relacionados ao imposto de renda.
Vacinas pagas
Além das vacinas obrigatórias, existem outras imunizações que podem ser recomendadas pelo pediatra.
Planos privados podem cobrir algumas dessas vacinas
Já quem utiliza apenas o SUS pode precisar pagar por determinadas doses que não fazem parte do calendário obrigatório.
Os valores indicados no artigo variam de R$ 60,00 para vacinas como a da gripe (influenza) até R$ 260,00 para a vacina contra pneumonia.