Como juntar dinheiro
Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
| 31-07-2026
Equipe de Estilo de Vida · Equipe de Estilo de Vida

Por onde começar a juntar dinheiro

Guardar dinheiro pode parecer difícil diante das contas do dia a dia, dos imprevistos e das compras por impulso.
No entanto, construir uma vida financeira mais equilibrada depende menos da renda e mais da criação de hábitos consistentes.
Organizar o orçamento, estabelecer metas claras e tomar decisões conscientes faz com que cada escolha contribua para uma maior segurança financeira no futuro.
Além de reduzir gastos desnecessários, aumentar a renda, investir de forma inteligente e criar uma reserva para emergências são etapas fundamentais para tornar esse processo mais eficiente e sustentável.
Segundo Janaina Mocelin, planejadora financeira CFP pela Planejar, não existe uma fórmula única para todos. O planejamento financeiro deve ser adaptado à realidade, aos objetivos e às possibilidades de cada pessoa.

Organize o orçamento antes de poupar

Controle receitas e despesas
O primeiro passo para juntar dinheiro é saber exatamente quanto entra e quanto sai todos os meses. Janaina Mocelin compara as finanças pessoais à gestão de uma empresa: assim como um negócio acompanha receitas, despesas, investimentos e projeções, famílias e indivíduos também precisam controlar o próprio orçamento.
Segundo a especialista, o objetivo inicial deve ser garantir que as despesas sejam menores do que as receitas, algo que parece simples, mas exige disciplina e acompanhamento constante.
Use o cartão de crédito com estratégia
O cartão de crédito pode ser um aliado da organização financeira quando utilizado com planejamento. A recomendação é definir previamente quais despesas serão pagas no cartão e estabelecer limites para cada categoria de gasto. Caso haja um excesso em determinado mês, como compras de roupas, será necessário compensar reduzindo despesas com lazer ou restaurantes.
Para casais, compartilhar um único cartão pode aumentar a transparência sobre os gastos. O principal risco surge quando o cartão passa a funcionar como uma extensão da renda, levando ao crédito rotativo e ao acúmulo de dívidas com juros elevados.
Como juntar dinheiro

Busque formas de aumentar sua renda

Pequenas receitas também fazem diferença
Além de controlar despesas, aumentar a renda acelera o processo de construção do patrimônio. Trabalhos freelancer, serviços pontuais, venda de objetos sem uso ou até o aproveitamento da economia compartilhada, como alugueres e serviços por aplicativos, podem gerar um rendimento extra.
Sempre que possível, esses valores adicionais devem ser direcionados para investimentos, fortalecendo o patrimônio ao longo do tempo.
Outra medida importante é revisar despesas recorrentes, renegociar dívidas com juros elevados e cancelar serviços pouco utilizados. Essas mudanças reduzem desperdícios e liberam recursos para aplicações financeiras.

Monte primeiro a reserva de emergência

Proteja-se contra imprevistos
Antes de investir pensando em objetivos de longo prazo, é essencial criar uma reserva financeira destinada a situações inesperadas, como despesas médicas, reparos urgentes ou perda da fonte de renda.
Segundo Janaina Mocelin, o tamanho ideal dessa reserva varia conforme a estabilidade financeira de cada pessoa.
- Servidores públicos: aproximadamente 4 vezes o custo mensal;
- trabalhadores CLT: cerca de 6 vezes as despesas mensais;
- autónomos e empresários: até 12 vezes os gastos mensais.
Como exemplo, uma família que gasta R$ 10 mil por mês e possui renda proveniente de emprego CLT deveria manter uma reserva de aproximadamente R$ 60 mil.
Esse dinheiro deve permanecer aplicado em investimentos de baixo risco e com liquidez diária, permitindo resgate rápido sempre que necessário.

Quanto guardar por mês?

Defina metas antes de calcular os aportes
O valor ideal para poupar depende do objetivo financeiro. No caso da aposentadoria, é importante determinar a idade em que pretende deixar de trabalhar, estimar quanto será necessário para manter o padrão de vida desejado e considerar a renda esperada de benefícios, como o INSS.
Na simulação apresentada por Janaina Mocelin, uma pessoa com:
- idade atual de 40 anos;
- aposentadoria prevista aos 65 anos;
- expectativa de recebimento por 30 anos;
- custo mensal de R$ 10 mil;
- benefício estimado do INSS de R$ 4 mil;
- complementação necessária de R$ 6 mil mensais;
- rentabilidade real de 4% ao ano;
- precisaria acumular aproximadamente R$ 1.245.000 até a aposentadoria.
Para atingir esse objetivo em 25 anos, seria necessário investir cerca de R$ 2.500 por mês, considerando a mesma taxa real de retorno.

Como juntar dinheiro para comprar uma casa

Defina exatamente qual imóvel deseja comprar
O primeiro passo é pesquisar o valor médio do imóvel considerando localização, tamanho e padrão de construção.
Também é importante calcular a entrada, normalmente entre 20% e 30% do valor do imóvel, além de incluir despesas como escritura, ITBI, cartório, reforma, mudança e mobiliário.
Conheça sua realidade financeira
Antes de estabelecer um plano, faça um levantamento da renda, dos gastos e da capacidade mensal de poupança. Esse diagnóstico mostra quanto realmente pode ser destinado ao objetivo sem comprometer o orçamento.
Monte um plano de investimentos
Após definir a meta e o prazo, calcule quanto deverá guardar todos os meses. Segundo Janaina Mocelin, quem deseja acumular R$ 100 mil em cinco anos precisará reservar aproximadamente R$ 1.700 por mês, desconsiderando os rendimentos das aplicações.
Como se trata de um objetivo de médio prazo, a especialista recomenda investimentos de baixo risco e boa liquidez, como CDBs, LCIs, LCAs, fundos DI e Tesouro Selic. Mais importante do que escolher o investimento é manter regularidade nos aportes mensais.
Considere financiamento ou consórcio
Caso o objetivo seja reunir apenas o valor da entrada, o financiamento imobiliário ou o consórcio podem antecipar a conquista da casa própria.
Antes de optar por qualquer modalidade, é fundamental analisar cuidadosamente os custos e verificar se as parcelas cabem no orçamento.

Entenda a regra 50/30/20

Uma maneira simples de organizar as finanças
A regra 50/30/20 divide a renda líquida em três categorias:
- 50% para despesas essenciais, como moradia, alimentação, transporte e contas fixas;
- 30% para gastos pessoais e lazer, incluindo viagens, hobbies, assinaturas e compras;
- 20% destinados à reserva financeira, investimentos e objetivos de médio e longo prazo.
Embora esses percentuais possam ser adaptados conforme a realidade de cada família, o mais importante é garantir que parte da renda seja destinada regularmente à construção do patrimônio.
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É possível juntar dinheiro mesmo ganhando pouco

A disciplina vale mais do que o valor inicial
Muitas pessoas acreditam que só faz sentido investir quando conseguem guardar grandes quantias. Na prática, criar o hábito de poupar é muito mais importante do que começar com valores elevados.
Separar uma quantia logo que o salário é recebido transforma o investimento em uma prioridade, em vez de depender do que eventualmente sobra no fim do mês.
Mesmo aportes pequenos, realizados de forma consistente, ajudam a formar patrimônio ao longo do tempo. O segredo está na regularidade, no planejamento e na disciplina para manter esse compromisso financeiro mês após mês.